O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, declarou na 6ª feira (4.set.2026) que “o grande vilão no Brasil é o setor público, não é o empresário que trabalha”. A fala foi durante sabatina do jornal Estadão.
“Esse é um dos motivos de o Brasil não dar certo. As empresas já são tributadas em 34% com imposto de renda e contribuição social e ainda querem criar mais”, disse Zema. A declaração foi feita depois de questionado sobre o Congresso Nacional ter aprovado em 2025 uma lei que estabelece a taxação de 10% dos lucros e dividendos para quem recebe mais de R$ 50.000 mensais e qual era sua avaliação sobre isso.
“No Brasil, o grande problema que nós temos está não só na parte de tributação, como você está falando, como em uma hipertrofia do Estado brasileiro, que só tem aumentado a carga. Precisamos, sim, melhorar as nossas leis. Eu sou favorável a uma melhor distribuição de renda. Na minha opinião, o melhor seria tributar e a pessoa de baixa renda ter a restituição daquilo que pagou de imposto, assim o rico pagaria mais impostos”, afirmou Zema.
O candidato disse que faltam no Brasil “impostos mais inteligentes, um Estado mais enxuto e mais eficiente”.
“Esse governo tem criado uma ideia de que, se é eficiente, se está ganhando dinheiro, vou puni-lo. E está privilegiando quem? Os intocáveis. Nós criamos uma casta no setor público hoje, que, na minha opinião, essa é que deveria ser tributada. Quem trabalha no setor público, principalmente os supersalários, deveriam ter uma tributação especial e mais punição na legislação penal”, afirmou Zema.
Caso Master
Zema também comentou sobre o caso de documentos e mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e que indicam uma relação próxima ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
“E o ministro [está] lá, isso que é pior ainda, que causa mais indignação. Em qualquer país sério, essa fruta podre já teria sido expelida para fora há muito tempo. Eu falo que se fosse no Japão, onde tem um Código de Honra, já teriam pegado aquela espada deles e colocado no ventre. E aqui, os colegas de Supremo, assistindo, ontem dando risadinha com ele [Moraes]. O Supremo virou motivo de vergonha nacional e está envergonhando o Brasil também”, disse Zema.
Zema foi questionado sobre negócios da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) com empresas ligadas a Daniel Vorcaro. A empresa demitiu o diretor comercial da subsidiária Cemig SIM, Rubens Soalheiro, em agosto de 2026. Investigações da Polícia Federal mostraram o envolvimento de contratos da estatal com a empresa Green Investimentos, presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo e aliado do banqueiro Daniel Vorcaro.
“Nós levamos para Minas Gerais milhares de investimentos de energia solar e me parece que um desses tem alguém ligado ao Vorcaro que é sócio. Se teve algo de errado, eu quero investigação e punição. Se houve algum prejuízo aos cofres públicos, que a pessoa seja condenada e que mofe lá na cadeia”, afirmou Zema.
