O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou na última 6ª feira (28.ago.2026) à Polícia Federal que não esperava a liquidação do Banco Master. Em depoimento, disse que só tomou conhecimento de que essa seria a decisão quando foi preso pela 1ª vez, em 17 de novembro de 2025.
Vorcaro prestou depoimento na Papudinha, em Brasília. A oitiva faz parte da investigação sobre possíveis pagamentos de propina a então diretores de fiscalização e supervisão bancária do Banco Central.
O delegado responsável pelo depoimento questionou Vorcaro sobre quando percebeu que a liquidação do Master havia se tornado “o caminho mais provável”. O fundador do banco respondeu que só “caiu a ficha” quando “estava atrás das grades”.
“Aquele processo acaba tendo um desfecho rápido e inusitado ali naquela tarde, em conjunto com a decretação da minha prisão. Ali, naquele momento, eu descobri, no momento que fui preso, que a minha solução não seria nem apreciada e que o banco seria liquidado”, afirmou o ex-banqueiro durante oitiva.
Assista a trecho do depoimento de Vorcaro à PF (4min19s):
Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Na ocasião, viajaria para Dubai para, segundo ele, tratar de negócios. Naquele mesmo dia, havia anunciado a venda do Banco Master para a Fictor e um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Depois que o BC rejeitou a operação que previa a incorporação do Master pelo BRB (Banco de Brasília), Vorcaro passou a buscar compradores privados. O empresário atribuiu a negativa a um “ataque midiático” contra o banco.
“Quando acontece essa negativa eu busco outras soluções, eu viajo ali por diversas vezes, 3 ou 4 vezes, para o Emirados Árabes em busca de investidores para conseguir uma outra solução que fosse privada, que não fosse o BRB, que não gerasse toda a tensão midiática que gerou o tema BRB”, disse Vorcaro.
Mensagens trocadas com Moraes
Mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mostram que o ex-controlador do Master buscou informações sobre a investigação nos dias que antecederam sua prisão. conteúdo foi divulgado depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo da ação que reúne as conversas, que não foram tratadas pelo ex-banqueiro durante o depoimento à PF na semana passada.
Em 15 de novembro, 2 dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Na véspera da prisão, em 16 de novembro, o ex-banqueiro voltou a questionar o ministro sobre a possibilidade de ser detido: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?” A ordem de prisão só seria assinada no dia seguinte, às 15h29, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.


