O risco-país do Brasil caiu para 115,6 pontos nesta 6ª feira (4.set.2026), o menor nível registrado durante o 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O indicador chegou a 116,2 pontos em maio e estava em 136,8 pontos há 1 ano, em 4 de setembro de 2025.
A queda indica uma melhora na percepção dos investidores sobre o risco de investir no Brasil. Quanto menor o indicador, menor é o prêmio exigido pelo mercado para financiar o país em relação a ativos considerados de menor risco.

O chamado risco-país é uma medida da percepção de risco de crédito de um país. No Brasil, um dos principais indicadores usados para acompanhá-lo era o EMBI+ Brasil (Emerging Markets Bond Index Plus), calculado pelo JPMorgan.
O índice comparava a remuneração exigida pelos investidores para comprar títulos de países emergentes com a de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, mas no Brasil só durou até 2024.
Depois disso, passou a ser medido pelo CDS (Credit Default Swap), indicador de mercado que procura medir o prêmio exigido pelos investidores para assumir exposição à dívida brasileira.
Por que caiu
O movimento se dá por conta da forte valorização dos ativos brasileiros. O Ibovespa acumulou alta de 5,4% na semana até esta 6ª feira, enquanto o dólar recuou 1,3% no mesmo período.
Parte da reação do mercado está relacionada ao ambiente eleitoral. A redução da distância entre Lula e Flávio Bolsonaro nas pesquisas passou a ser interpretada como possibilidade de alternância de poder, reduzindo o prêmio de risco político embutido nos ativos brasileiros.
A melhora, contudo, não significa que os riscos fiscais tenham desaparecido. A dívida pública e a trajetória das contas do governo continuam entre os principais pontos de atenção dos investidores. A percepção de risco pode mudar rapidamente conforme as expectativas para a política econômica, as contas públicas e as eleições de 2026.

