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Relatório da PF avalia Alcolumbre como “provável alvo estratégico”

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Relatório da PF avalia Alcolumbre como “provável alvo estratégico”

O relatório da Polícia Federal, usado nesta 5ª feira (3.set.2026) pelo ministro do STF Alexandre de Moraes para sustentar uma queixa ao ministro André Mendonça, indica que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é um “possível alvo estratégico” das investigações sobre o caso Master. Eis a íntegra do documento (PDF – 7MB).

“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”, indicou a PF.

Moraes usou o relatório para pedir ao presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin, uma investigação de Mendonça. Afirmou que há “indícios” de que o colega cometeu improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República e Andrei Rodrigues se manifestem em 5 dias.

Segundo a PF, Mendonça tinha a intenção de “ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte”.

Trecho relatório PF sobre estratégia de Mendonça.png

RUEDA COMO “ROTA DE ACESSO”

O documento avalia que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, poderia ser uma “rota de acesso” de Mendonça a Alcolumbre. O documento relaciona a hipótese à resistência de Alcolumbre à indicação do ministro ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o relatório, o senador representou um “grande empecilho” à indicação. 

Nesse ponto, porém, o documento trabalha explicitamente com uma hipótese de inteligência. Não afirma ter comprovado que Mendonça tenha usado uma investigação sobre Rueda para atingir Alcolumbre.

Trecho relatório PF sobre Rueda

ALCOLUMBRE EM DEFESA DE MORAES

Alcolumbre foi uma das principais pessoas que saíram em defesa de Moraes depois da divulgação das conversas entre o ministro e Daniel Vorcaro. Na 4ª feira (2.set), disse que tem sido alvo de “muitas agressões” nos últimos dias, por críticas relacionadas a Moraes.

“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para as mesmas pessoas para fazer um filme e agora o culpado sou eu e o ministro Moraes”, declarou Alcolumbre no plenário da Casa Alta.

A declaração do presidente do Senado diz respeito ao pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para que Vorcaro financiasse “Dark Horse”. Segundo documentos e conversas divulgados pelo Intercept Brasil, Flávio negociou no início de 2025 o pagamento de US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para financiar o filme.

Como presidente do Senado, cabe a Alcolumbre dar prosseguimento aos pedidos de impeachment contra Moraes, que aumentaram depois que André Mendonça levantou o sigilo da investigação.

RELATÓRIOS PRODUZIDOS PARALELAMENTE

A Polícia Federal produziu relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro André Mendonça em investigações sob sua relatoria. O material, com 50 páginas, foi elaborado paralelamente às apurações conduzidas pelo ministro e posteriormente enviado a Alexandre de Moraes.

Os documentos fazem uma análise crítica de decisões e da atuação de Mendonça principalmente nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios previdenciários, e Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

A produção dos documentos antecedeu a decisão de 3ª feira (1º.set) em que Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Master que mostravam uma relação entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e Moraes.

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