Últimas

PF sugere haver “assimetria” em decisões de André Mendonça

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
PF sugere haver “assimetria” em decisões de André Mendonça

Relatórios da Polícia Federal indexados em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes desta 5ª feira (3.set.2026) sugerem que o também ministro André Mendonça toma decisões com “assimetria” a depender do político investigado.

Segundo o documento, Mendonça afirmou em uma reunião em 13 de agosto ter a “percepção” de que ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, “aparentaria estar exercendo atividade de representação de interesses dentro dos limites do permitido”.

A PF compara este tratamento dado pelo ministro ao político mais à direita ao dado por ele a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujo caso “guarda similaridade relevante”, afirma a corporação.  Eis a íntegra (PDF – 7 MB).

Não há detalhes de como foi dada essa declaração de Mendonça nem de que caso específico se trata essa investigação. O documento traz tópicos sem muitas informações adicionais.

O diretor-geral da PF é Andrei Passos Rodrigues, indicado para o cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

PRAZOS

O relatório também sugere um tratamento diferenciado do ministro quanto aos prazos de apreciação de processos. Cita uma demora maior na tomada de decisões quando as representações são contra políticos mais alinhados à direita.

Copyright Reprodução/PF
Acima, trecho do relatório da PF compara prazo de apreciação de processos envolvendo diferentes políticos; apesar disso, corporação classifica confiança da amostra como “baixa” por ser um grupo pequeno analisado

O documento da PF está em decisão do ministro Alexandre de Moraes que pede que Mendonça seja investigado no inquérito das fake News por abuso de autoridade.

Moraes pede que o presidente do Tribunal, Luiz Edson Fachin, tome providências diante dos “indícios” que Mendonça cometeu também improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Em resposta, Fachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República e Andrei Rodrigues se manifestem em 5 dias.

“Há, portanto, a presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo Ministro André Mendonça, no exercício da relatoria das PETs 15041 (Operação Sem Desconto) e 15556 (Operação Compliance Zero)”, diz trecho da decisão de Moraes. Eis a íntegra (PDF – 223 kB).

Segundo Moraes, Mendonça usurpou a direção da instauração dos inquéritos relacionados às fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Para ele, o colega tem enviado a condução dos inquéritos com uma direção tendenciosa de intencionalidade preconceituosa contra colegas do Tribunal.

Moraes cita a decisão de 3ª feira (1º.set.2026) em que Mendonça retira o sigilo das investigações que indicam um relacionamento entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, com o próprio Moraes. Para ele, Mendonça quis desviar os avanços das investigações contra ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por “motivos pessoais e políticos, com indicação prévia das medidas cautelares”.

O Poder360 pediu uma manifestação ao gabinete do ministro André Mendonça diante da decisão de Moraes desta 5ª feira (3.set.2026). Até o momento não houve resposta. Esta reportagem será atualizada caso uma manifestação seja recebida.

ENTENDA A DECISÃO 

Moraes afirma que a PF produziu os relatórios de inteligência citados acima para relatar “irregularidades” identificadas pelos investigadores na condução de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. O relator do inquérito das fake news disse que “teve notícias” de que o relatório indicava um direcionamento de Mendonça nas investigações.

Por essa razão, Moraes determinou que o documento fosse enviado para o seu gabinete. Segundo ele, a PF cita que ao menos 5 ministros foram citados nos inquéritos da relatoria de Mendonça, além do presidente do Senado, do procurador-geral da República e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A PF diz que Mendonça determinou de ofício uma investigação contra ele (Moraes) sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito a comunicação pelas vias legais.

Segundo a PF, em uma reunião do relator com os investigadores no dia 28 de agosto, Mendonça pediu uma investigação separada contra Antonio Rueda (União Brasil) com o objetivo de atingir Davi Alcolumbre.

“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Avalia-se que o relator possa enxergar em Antonio Rueda rota de acesso a Acolumbre, com quem manteve desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal, no governo passado, quando aquele parlamentar representou grande empecilho à indicação.”, declara o relatório da PF.

Para Moraes, Mendonça teria ameaçado afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República. “Ameaçando transformar o titular da ação penal em testemunha, uma vez que ‘a proximidade com o ministro Gilmar Mendes o tornaria indigno de confiança’, conforme se verifica no ‘Relatório de Inteligência'”, afirmou.

INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

O inquérito das fake news (inquérito 4.781) foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 por determinação direta do então presidente da Corte, Dias Toffoli. Ele nomeou de ofício como relator o ministro Alexandre de Moraes. Os 2 ministros foram colegas de turma no curso de direito na Universidade de São Paulo.

A medida de Toffoli foi um ato incomum. Investigações são uma atribuição de policiais e integrantes do Ministério Público. Quando há um novo processo no Supremo, o relator é sorteado de forma aleatória por um sistema eletrônico. Outra peculiaridade é que o inquérito continua aberto até hoje e em sigilo. Também não tem prazo para ser encerrado.

O ministro decano (mais antigo) do STF, Gilmar Mendes, declarou em abril de 2026, de forma explícita, que o inquérito das fake news é um instrumento que a Corte usa quando entende ser necessário se defender de críticas: “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal vem sendo vilipendiado. […] Foi um momento importante abrir o inquérito e mantê-lo até as eleições”.

PF sugere haver “assimetria” em decisões de André Mendonça — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado