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O Supremo retroalimenta a entropia das instituições

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O Brasil assiste à pior crise institucional de sua história recente na cúpula do Poder Judiciário.

A hipertrofia da atuação política do Supremo Tribunal Federal chegou ao paroxismo com o interminável inquérito das fake news. Essa investigação foi criada em 14 de março de 2019. É sigilosa. Não tem prazo para acabar. Tudo cabe ali dentro. Virou uma ferramenta eterna e sem limites para ser usada contra quem ousar divergir de parte dos magistrados supremos.

O ministro decano (mais antigo) do STF, Gilmar Mendes, declarou em abril de 2026, de forma explícita, que o inquérito das fake news é um instrumento que a Corte usa quando entende ser necessário se defender de críticas: “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário. Vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal tem sido vilipendiado. […] Foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito e de mantê-lo, pelo menos, até as eleições. Acho que é relevante”.

O relator da investigação das fake news é Alexandre de Moraes. Ele usou esse inquérito para pedir uma investigação de André Mendonça por possível crime de responsabilidade e abuso de autoridade.

O que motivou Moraes foi o fato de Mendonça ter recebido um relatório da Polícia Federal demonstrando haver dezenas de mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro. O ex-dono do Banco Master chega a perguntar a Moraes se deveria sair do Brasil 2 dias antes de ser preso.

Essas informações surgiram no curso da investigação do caso Master, relatado por Mendonça.

Em suma, Moraes está sob suspeita de ter cometido crime em conjunto com Vorcaro. Seria necessário iniciar imediatamente uma investigação e dar ao ministro todo o direito de ampla defesa.

E como Alexandre de Moraes reagiu? Assim:

  • disse que o possível real criminoso é Mendonça, cujo delito (sic) foi receber o relatório da PF, ter remetido o documento à Procuradoria Geral da República e informado imediatamente o que se passava ao presidente do STF, Edson Fachin;
  • pediu que Mendonça seja investigado;
  • Moraes se sente atingido (seria, portanto, a vítima), mas considerou apropriado ser o relator do processo investigará quem ele considera ser seu algoz.

Formou-se uma distopia. O roteiro poderia servir para um episódio da série Black Mirror. Há uma espécie de mundo invertido dentro do Supremo.

É muito relevante neste momento ficar atento aos fatos. Advogados bajuladores do Supremo deram entrevistas nesta semana. Eles têm interesse. Falaram em possível erro procedimental de André Mendonça no caso Master. Na esperança de manter o status quo, essa banda subserviente da advocacia sugere que o ministro teria extrapolado suas funções e passado ao papel de investigador.

Para que tudo reste bem explicado, no caso em tela o ministro Mendonça recebeu informações fragmentadas e incompreensíveis dentro do processo do Master. A Polícia Federal nunca explicava o que havia se passado (o material probatório foi coletado há quase 1 ano, em novembro de 2025). Relator do caso, Mendonça perguntou à PF: “O que é isso?”. A resposta chegou mostrando possíveis traficâncias de Vorcaro com Moraes. O relatório foi remetido à Procuradoria Geral da República. Se esse tipo de atitude for criminalizada, o Supremo cavará um pouco mais fundo o buraco da falta de credibilidade no qual já se encontra.

Uma conjuntura grave como a atual exige temperança e equilíbrio de todos os que estão no comando das instituições. Ninguém deve ser sumariamente analisado, julgado e condenado sem que seja respeitado o devido processo legal. Só que há urgência também. Não para o presidente do STF, que concedeu 5 dias úteis para todos os citados se manifestarem. O prazo joga uma possível solução do caso para a semana de 14 de setembro. Os juízes têm tempo. A sociedade tem pressa. A imagem do Supremo se degenera a cada dia.

Não está claro como a opinião pública reagirá ao que se passa. Os mesmos que se apresentaram como salvadores da democracia agora resistem a escoimar a nódoa que parece ter se formado dentro do Supremo.

Infelizmente, no Brasil, nunca ninguém perdeu dinheiro apostando que tudo quase sempre dá em nada. Às vezes, felizmente, esse aforismo falha. A sociedade reclama. As coisas acontecem. O país já teve 2 presidentes da República apeados do cargo depois de dolorosos processos de impeachment.

O 7 de Setembro neste ano cai na próxima 2ª feira. Haverá manifestações de rua. Este Poder360 avalia que a atitude reativa de Moraes, a decisão abúlica de Fachin e até o vídeo anódino do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que não explica exatamente o que o chefe do Executivo defende) podem ser gasolina na fogueira da indignação da sociedade. Ninguém deseja que injustiças sejam cometidas. Só que Justiça que tarda não é Justiça.

O Supremo há muito parece trabalhar com um relógio diferente do usado pela maioria dos cidadãos. Falta sentido de urgência aos magistrados da mais alta Corte de Justiça do país. Seria recomendável que avaliassem se a forma como têm atuado não retroalimentou, em parte relevante, a entropia do sistema institucional brasileiro e a polarização irracional que tomou conta da sociedade e da política.

O Brasil deseja que os magistrados do STF reflitam sobre o que se passa, atuem com Justiça e com a celeridade que a sociedade e a democracia demandam.

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