O candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL) afirmou que o governo federal atuou para impedir que indícios contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparecessem no relatório da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. A fala foi em entrevista ao vivo para o Poder360, nesta 4ª feira (02.set.2026).
Gaspar, que concorre na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi relator da comissão que investigou descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo o candidato a vice-presidente, a pressão do governo incluiu liberação de emendas e articulação direta com congressistas para blindar o filho do presidente na investigação.
“O governo trabalhou intensamente e com todo o pacote de maldades possível para que eu não apresentasse no relatório os indícios contra o Lulinha”, disse o deputado. “Eu vi, senti na pele o quanto o Lula trabalhou liberando emendas, pressionando parlamentares para blindar o Lulinha da investigação.”
O relatório, elaborado pelo então deputado federal, foi derrubado por aliados do governo de Lula em 28 de março. Foram 19 votos contra e 12 a favor.
Gaspar tem 56 anos e está em seu 1º mandato como deputado federal.
A entrevista foi realizada no estúdio deste jornal digital, em Brasília, e conduzida pelo editor sênior Guilherme Waltenberg.
Assista a entrevista completa (32min31s):
Entenda o caso
O caso envolve Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS —descrito por Gaspar como “o maior ladrão de aposentados e pensionistas da história do Brasil” —, a lobista Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência. O deputado também citou o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa.
Gaspar sinalizou ainda uma aproximação do presidente com o esquema de tráfico de influência —motivo pelo qual Lulinha é investigado em 3 inquéritos no STF. “Eu vi que Lula não é só o pai do Lulinha, não é só o chefe do Marcola e do Swedenberger. O Lula faz parte desse esquema criminoso”, afirma o candidato.
Um dos inquéritos da Polícia Federal apura ligações de Roberta com Marcola; Lulinha; e o Careca do INSS, mostrado como operador de fraudes em benefícios previdenciários e preso preventivamente.
“Tudo isso aconteceu com o gabinete presidencial envolvido, com o filho do presidente da república envolvido, com ministérios tendo as portas abertas para esse tráfico de influência e corrupção”, disse Gaspar.
Em mensagens obtidas pela PF, a lobista e amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger aparecia dizendo que negou um cargo no governo do petista para focar nos negócios com Lulinha. Em resposta, durante a sabatina na TV Globo na 5ª feira (27.ago), o presidente Lula afirmou: “Não conheço essa moça. Nunca vi na minha vida. Nunca conversei com essa moça. Ela nunca esteve próxima de mim. Malandro é igual em qualquer lugar do mundo”.
O Poder360 procurou a assessoria do presidente Lula perguntar se gostaria de se manifestar sobre as afirmações, porém não houve uma resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que receber uma manifestação.


