O candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse, nesta 3ª feira (1º.set.2026), que o Senado se omite diante das mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Durante o discurso em plenário, o congressista pediu a abertura imediata de um processo de impeachment contra o ministro.
Flávio afirmou que as mensagens reveladas nas investigações representam um “dia triste para a nossa democracia” e criticou o que chamou de “anestesia” do Legislativo, especialmente do Senado.
Segundo o senador, Moraes teria sido “flagrado” atuando em favor de Daniel Vorcaro. Flávio afirmou que as mensagens entre os 2, inclusive as que teriam sido apagadas, apontaram para crimes como obstrução da Justiça, interferência em processo judicial, corrupção e formação de quadrilha.
Flávio também disse que há um sentimento entre congressistas de que existe uma “espada apontada para a sua cabeça” e criticou o uso de investigações como instrumento de pressão política.
“Usam investigações para ameaçar partidos políticos. Forjam investigações e processos para ameaçar a política. Estão ameaçando a política –e até a nossa representatividade”, declarou.
Impeachment
Ao fim do discurso, Flávio afirmou que um novo pedido de impeachment contra Moraes havia sido protocolado e cobrou que o Senado inicie imediatamente o processo.
“Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade, pelo amor de Deus! A história está sendo escrita hoje por cada um que está aqui”, disse.
O senador afirmou que o processo deveria ser iniciado “hoje, de ofício” e colocado em votação no plenário.
“Não dá mais para este Senado se omitir. Não dá mais. Vamos iniciar imediatamente um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes e dar a ele o que ele não deu ao presidente Bolsonaro: o direito de defesa, o direito ao devido processo legal”, afirmou.
Flávio encerrou o discurso fazendo um apelo aos senadores para que, segundo ele, atuem para “resgatar a democracia” e responsabilizou a omissão da Casa pelo atual cenário político.
“Por causa da nossa omissão, por causa da omissão do Senado Federal, é que as coisas chegaram nesse nível”, declarou.
OUTRO LADO
O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
RELATÓRIO DA PF
As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.
A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.
O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.
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