A revista britânica The Economist publicou na 2ª feira (31.ago.2026) um texto sobre Renan Santos (Missão) em que diz que o candidato à Presidência é “convencido”, mas “não um charlatão”. A publicação diz que ele “disputa a Presidência do Brasil com uma plataforma repleta de propostas técnicas que traça uma visão ousada para o país”.
A reportagem foi ao ar antes de o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, suspender a campanha de Renan ao Planalto. Depois da decisão do magistrado, a revista publicou uma nota informando do ocorrido.
O título original da reportagem usa a expressão idiomática “dark horse”, cuja tradução aproximada para o português seria “azarão”: “The dark horse presidential candidate Brazil’s authorities are trying to ban” (“O candidato azarão à Presidência que as autoridades brasileiras tentam banir”, em tradução livre).
“Dark Horse” é o nome do filme sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em maio de 2026, reportagens divulgaram conversas extraídas de aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apreendidos em operação da Polícia Federal, com referências ao financiamento do filme.
Em uma das conversas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em um áudio pedindo dinheiro a Vorcaro para bancar a produção de “Dark Horse”. O tema passou a ser relevante na corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Flávio é o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa um 4º mandato.
A The Economist compara a trajetória de Renan Santos à do presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). “Assim como Milei, ele é obcecado pela economia de livre mercado”, lê-se no texto. “Como Milei, Santos combina seu dogmatismo com rock, sendo vocalista de uma banda que exalta as virtudes da competição e dos impostos baixos”, diz.
A publicação relembra a fundação do Movimento Brasil Livre “para defender um Estado mínimo em um país com uma longa tradição de governo intervencionista”.
Renan é descrito como “um outsider da política”, assim como era o presidente argentino ao disputar a eleição.
A revista diz que “entrar no escritório” do partido Missão “revela um projeto voltado tanto para uma revolução cultural quanto para o poder político”. Segundo a publicação, “o ambiente é mais de startup do que de sede partidária”. Programadores trabalham “freneticamente” e há um estúdio para produzir vídeos curtos.
À revista, Renan declarou que o foco na mídia é uma resposta ao “wokismo” e que a ascensão da cultura do cancelamento “exigiu respostas que o liberalismo clássico não tinha a oferecer”.
Apesar disso, “a economia continua sendo sua principal bandeira” da campanha eleitoral, que tem um programa de governo “repleto de novas ideias para o Brasil”, que vão desde o aumento do uso da inteligência artificial até em como cortar gastos públicos.
A The Economist diz que Renan “quer transformar o Brasil em uma grande potência em 30 anos por meio de profundas reformas estruturais”.
A revista menciona pesquisas eleitorais. Ressalta o poder de crescimento de Renan, mesmo que tenha dificuldade em atrair o voto de mulheres.
“Santos aparece nas pesquisas com um dígito, mas sua disposição para propor ideias ousadas vem conquistando apoiadores importantes na direita brasileira. Muitos estão desanimados com a candidatura de Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente populista que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe depois de perder a disputa pela reeleição em 2022”, diz a reportagem.
“Terá dificuldades para conquistar as mulheres. Ele já elogiou blogueiros da ‘manosphere’”, afirma.
“A maioria dos brasileiros ainda não ouviu falar de Santos. Ele espera que o período de campanha, iniciado em 16 de agosto, mude isso. Ainda assim, a profundidade da polarização política brasileira e o poder das máquinas políticas dos partidos tradicionais dificultam que outsiders como ele conquistem votos. Mas, mesmo que Santos não vença desta vez, ele deu à direita brasileira algo extremamente valioso: uma alternativa ao bolsonarismo”, declara.
TSE
Toffoli suspendeu a campanha de Renan com base na Lei nº 9.504, de 1997, que obriga os candidatos, no momento do registro da candidatura, a informar à Justiça Eleitoral todos os perfis de redes sociais, sites e canais de comunicação que serão utilizados durante a campanha. Eis a íntegra da decisão (PDF – 475 kB).
O ministro afirma ter encontrado perfis irregulares que estavam fazendo divulgação para o candidato do Missão. Segundo ele, o partido informou a existência dos perfis só no dia 19 de agosto, 12 dias depois de o Missão ter feito o registro de candidatura, em 7 de agosto.
Com o descumprimento da norma, Toffoli determinou:
- suspensão imediata da realização de propaganda eleitoral da chapa do Missão em qualquer rede social;
- suspensão de repasses do Fundo Eleitoral;
- suspensão do direito de participar de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação, sob pena de multa de R$ 50.000;
- que os partidos preservem os conteúdos publicados desde 7 de agosto e suspendam os perfis no prazo de até 6 horas, sob pena de multa de R$ 10.000 por hora e por perfil;
- que as plataformas forneçam, em 24 horas, dados sobre postagens, anúncios e impulsionamentos, sob multa de R$ 50.000.
A defesa de Renan disse que Toffoli promoveu censura ao restringir atos de campanha. O advogado Arthur Rollo, que defende o candidato, afirmou na 2ª feira (31.ago) que irá protocolar um mandado de segurança para tentar reverter as decisões.
Rollo declarou que as decisões foram tomadas de ofício e sem que a defesa tivesse oportunidade de se manifestar previamente.
