O relatório da Polícia Federal sobre as investigações do Banco Master e os vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, foi divulgado nesta 3ª feira (1º.set.2026). O documento revela que 3 contratos firmados entre o escritório de advocacia Barci de Moraes e Vorcaro somam R$ 208 milhões.
O relatório foi tornado público depois da retirada do segredo de Justiça sobre os documentos da PF relativos ao caso pelo ministro André Mendonça. Os registros mostram ligações entre Moraes e Vorcaro, que chegou a consultar o ministro antes de tentar fugir para os Emirados Árabes Unidos em novembro de 2025. Leia a íntegra (PDF – 5 MB).
Os 3 contratos de prestação de serviços advocatícios foram anexados ao relatório da PF. O 1º foi firmado entre o Barci de Moraes, escritório gerido por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e o próprio Banco Master. Seu valor é de R$ 108 milhões, a serem pagos em 36 parcelas fixas de R$ 3 milhões cada. Leia a íntegra (PDF – 11 MB)
Os outros 2 contratos foram celebrados entre o escritório e a Viking Participações, empresa pertencente a Vorcaro. Cada um deles estabelece pagamento de R$ 50 milhões, totalizando R$ 100 milhões. Somados ao 1º, os 3 contratos chegam a R$ 208 milhões. Leia a íntegra (PDF – 8 MB).
Em um dos acordos com a Viking, R$ 40 milhões seriam pagos por meio de cotas sociais de 2 fundos de investimento proprietários de aeronaves. Um deles é a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dona de um jato Legacy 650 de prefixo PP-NLR. O outro é a Fraction 053 Administração de Bem Próprio S.A., que, à época do contrato, concluía a aquisição de um helicóptero modelo EC 155 B1, da Airbus Helicopters. Leia a íntegra (PDF – 108kB).
RELATÓRIO DA PF
As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.
A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.
O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.
OUTRO LADO
O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota do escritório Barci de Moraes sobre o envolvimento de Moraes na edição dos contratos:
“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente.
“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.”
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