Últimas

Ex-ministro alertou Vorcaro sobre pagamento a escritório Barci de Moraes

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria avisou o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre cobranças atribuídas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes referentes a atrasos em repasses ao escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Em diálogo de 15 de março de 2024, Faria enviou captura de tela e disse ao banqueiro: “O careca não pode atrasar”

A informação consta em relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro do STF André Mendonça nesta 3ª feira (1º.set.2026). Eis a íntegra (PDF – 5 MB). As mensagens extraídas do celular do fundador do Master indicam que os valores eram considerados pelo empresário como o compromisso “mais importante” da instituição financeira, com orientação para que fossem quitados “do jeito que for”, mesmo sem emissão de nota fiscal.

Segundo as investigações, as cobranças eram referentes a parcelas mensais de um contrato assinado em janeiro de 2024 com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia (representado por Viviane Barci, mulher de Moraes), no valor total de R$ 131 milhões. As cláusulas contratuais fixavam o pagamento até o 5º dia útil de cada mês, mas repasses de fevereiro e março daquele ano atrasaram.

Diante dos atrasos, Vorcaro cobrou integrantes da tesouraria do banco e afirmou que o descumprimento do calendário de depósitos traria “problemas”. Posteriormente, em abril de 2025, o banqueiro solicitou restrição de acesso ao documento contratual na empresa para evitar vazamentos internos.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance solicitou ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação, pelo Banco Master, de seus serviços advocatícios.

Eis a íntegra da nota do escritório Barci de Moraes:

Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente.

“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.

RELATÓRIO DA PF

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.

A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.

A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.

O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.

Leia mais:

Ex-ministro alertou Vorcaro sobre pagamento a escritório Barci de Moraes — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado