O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse nesta 3ª feira (1º.set.2026) que o Desenrola foi um “grande sucesso”, mas pontuou que programas de renegociação de dívidas são medidas pontuais. De acordo com ele, o país precisa avançar em iniciativas estruturais para melhorar a qualidade do crédito.
“Tem medidas mais pontuais e outras mais estruturais. As mais pontuais, mas não menos relevantes, são as de renegociação de dívidas, especialmente agora o Desenrola. Na minha visão, foi um grande sucesso, atingiu mais de 10 milhões de beneficiários”, declarou durante o evento Zetta Summit.
Segundo Ceron, ações de renegociação ajudam a enfrentar o endividamento, mas não são suficientes para criar um mercado de crédito mais saudável.
O secretário também demonstrou preocupação com o aumento do volume de crédito e com a qualidade das operações. Para ele, a expansão da bancarização precisa ser acompanhada de mecanismos que evitem o comprometimento excessivo da renda das famílias.
“Não posso deixar de compartilhar a preocupação com a inadimplência. A bancarização foi um grande avanço, mas agora você olha com cuidado para o volume do crédito e para a qualidade do crédito”, disse.
Ceron defendeu iniciativas que ajudem a preservar a capacidade de pagamento dos consumidores, principalmente daqueles com menor acesso à educação financeira.
JUROS E SPREAD
O secretário também defendeu a busca por uma redução estrutural das taxas de juros no país. Segundo ele, a medida teria impacto tanto sobre as operações de curto prazo quanto sobre o crédito de prazo mais longo.
“É fundamental encontrar caminhos para reduzir de forma estrutural a nossa base de taxa de juros, tanto as mais curtas, que são definidas para apoio da política monetária e atendimento das metas de inflação, quanto as mais longas. Isso vai ajudar no custo do crédito, tanto o crédito mais curto quanto o crédito mais longo e produtivo”, disse.
Ceron declarou ainda que o spread bancário —diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa cobrada dos clientes— precisa ser estudado de forma estrutural.
Para ele, o avanço das garantias é um dos caminhos para reduzir o custo das operações. Ceron citou o Marco de Garantias como uma iniciativa já existente, mas defendeu o aprimoramento desses instrumentos para ampliar a oferta de crédito em condições mais competitivas.
O Marco Legal das Garantias reúne regras para tornar as garantias usadas em operações de crédito mais eficientes, reduzindo o risco dos bancos e, consequentemente, criando condições para diminuir o custo dos empréstimos.
O secretário afirmou que a agenda exige mudanças graduais e combinadas entre diferentes frentes. Apesar dos desafios, disse estar otimista com a possibilidade de avanço.
