O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), formalizou nesta 2ª feira (31.ago.2026) indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga de ministro no Tribunal de Contas da União.
A indicação se deu após o ministro Bruno Dantas formalizar sua renúncia ao cargo na manhã desta 2ª. A saída já era esperada há meses. O nome do senador deve ser votado em plenário na 3ª ou na 4ª feira, a depender do quórum.
Pacheco precisa de maioria simples, mínimo de 41 votos favoráveis, para ter seu nome aprovado para o cargo. O líder de seu partido no Senado, Cid Gomes (CE) disse ao Poder360 que está confiante em sua aprovação por unanimidade.
Das 9 cadeiras do TCU, 3 são de indicação do Senado, 3 da Câmara dos Deputados e 3 da Presidência da República. Apenas os indicados pelo Executivo são obrigados a passam pelo rito de sabatina pública na CAE antes de irem a voto. Como a vaga aberta por Dantas é de cota do Senado, a Casa pode levar o nome direto ao plenário.
Foram 20 assinaturas dos senadores a favor da indicação, do PL ao PT. Além de Alcolumbre, também assinaram Eduardo Braga (MDB-AM), Camilo Santana (PT-CE), Carlos Portinho (PL-RJ), Teresa Leitão (PT-PE), Rogério Marinho (PL-RN), Cid Gomes (PSB-CE), Omar Aziz (PSD-AM), entre outros.
“Tenho convicção de que, aprovada a sua indicação, a Corte de Contas será brindada com um novo membro que conjuga os conhecimentos jurídicos necessários para o bom desempenho da função com a experiência proporcionada pelos mandatos desempenhados no Congresso Nacional, que lhe deram a bagagem necessária para entender os problemas enfrentados pelo Estado e pela população brasileira”, disse Alcolumbre em sua justificativa para indicação.
DO STF AO TCU
A indicação ao TCU acontece depois de Pacheco ter sido cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O presidente do Senado, Alcolumbre defendia o nome do mineiro para a Corte, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga. Nesse cenário, a indicação ao TCU é vista como um “prêmio de consolação” ou um afago de Alcolumbre a Pacheco.
O Poder360 mostrou que Alcolumbre ofereceu a Pacheco a vaga no TCU diante da possível saída de Bruno Dantas. Se o senador mineiro aceitasse, seria o indicado do presidente do Senado para o Tribunal e teria, segundo interlocutores, facilidade para obter a aprovação do plenário.
Pacheco vinha sendo cotado para disputar o governo de Minas Gerais e recebeu convite de Lula para concorrer ao cargo e reforçar o palanque do presidente na tentativa de reeleição. O senador, porém, não aceitou a indicação para a disputa e passou a concentrar as negociações em torno da vaga no TCU.
O cargo é estratégico, uma vez que o TCU é o órgão responsável por fiscalizar as contas do Poder Executivo e auxiliar o Congresso no controle externo da administração pública.
QUEM É RODRIGO PACHECO
Rodrigo Otavio Soares Pacheco, 49 anos, nasceu em 3 de novembro de 1976, em Porto Velho, Rondônia, mas foi criado em Passos, no Sul de Minas Gerais.
É formado em direito pela PUC Minas e fez especialização em direito penal econômico internacional pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais).
Antes da vida política, advogou por cerca de duas décadas como criminalista, sócio do escritório Mauricio Campos e Pacheco, em Nova Lima (MG). Na OAB-MG, foi conselheiro seccional (2007–2012) e presidente da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas dos Advogados. Depois foi eleito o mais jovem conselheiro federal da OAB. Também integrou o Conselho de Criminologia e Política Criminal de Minas Gerais e foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva.
Em 2014, foi eleito deputado federal por Minas Gerais. Em 2018, senador. Presidiu o Senado Federal de 2021 a 2023, sendo reeleito por mais 2 anos. Pacheco decidiu não disputar a reeleição. Cogitou sair candidato a governador de Minas na chapa de Lula, mas desistiu.
