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Ministro de El Salvador diz que facções “usurpavam” funções do Estado

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, afirmou nesta 2ª feira (31.ago.2026) que organizações criminosas passaram a exercer funções legítimas do Estado nos territórios que controlavam.

Segundo ele, as facções submetiam moradores, cobravam extorsões, mantinham estruturas armadas e impunham sua própria justiça. A declaração foi feita durante evento sobre segurança pública promovido pela Fiesp, em São Paulo.

“Eles acabam usurpando as funções legítimas de um Estado dentro de um território”, afirmou.

FACÇÕES CONTROLAVAM TERRITÓRIOS

Villatoro disse que as organizações criminosas não se limitavam à prática de crimes, mas exerciam controle sobre as comunidades. Segundo ele, moradores recorriam aos líderes das facções para resolver conflitos, em vez de procurar a polícia ou a Justiça.

“Quando eu tinha um problema da comunidade, vocês acham que eles procuravam a polícia ou procuravam o juiz de paz para que intermediasse a situação? Claro que não. O salvadorenho ia falar com o chefe da facção e aquela pessoa da facção era quem impunha a Justiça com mão forte”, declarou.

O ministro afirmou que as organizações também tinham mecanismos próprios de arrecadação por meio da extorsão e um “exército” para manter o controle dos territórios.

“Eles submetiam os cidadãos que estavam dentro dos seus territórios. Naquele momento existiam mecanismos de arrecadação, a renda de extorsão”, disse.

Segundo Villatoro, essa estrutura diferenciava as organizações criminosas do crime organizado tradicional. Para ele, as facções passaram a ocupar funções que deveriam pertencer ao Estado.

“A grande diferença que nós temos entre o crime organizado tradicional e as organizações criminosas é simplesmente uma coisa: eles acabam usurpando a nação e praticamente acabam sendo muito mais eficientes nessa arrecadação, eles têm um exército e são os que trazem a Justiça nesse território de fato”, afirmou.

Villatoro disse ainda que as organizações tinham mais de 40 mil integrantes e que os homicídios eram cometidos conforme ordens da estrutura criminosa.

“O inimigo da nação era a personificação daquela organização criminosa como um todo”, declarou.

Segundo o ministro, a estratégia do governo do presidente Nayib Bukele (Nuevas Ideas, direita) passou a combater as organizações como estruturas completas, com o objetivo de recuperar os territórios sob seu controle e restabelecer a atuação do Estado.

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