O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a mais de um interlocutor que considera o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a maior traição política que sofreu.
Nessas conversas, ele citou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que disse que Lula recebeu propina durante as investigações da Lava Jato, de ter sido a 2ª maior traição.
Há 2 motivos para a contrariedade de Lula com o presidente do Banco Central. A 1ª tem a ver com o escândalo do Banco Master.
A estratégia do PT era deslocar toda a responsabilidade pelas ações de Daniel Vorcaro, fundador do Master, para o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
Galípolo, em audiência na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, porém, foi na direção contrária.
Eis o que ele disse em 9 de abril deste ano: “Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos“.
Assista ao vídeo (33s):
A declaração caiu como uma bomba no colo do PT.
Galípolo foi indicado pelo governo Lula para a diretoria do Banco Central e, depois, para a presidência do BC. Por isso, a fala impediu o partido de atribuir a defesa de Campos Neto a um nome da oposição tentando isentá-lo.
Lula chegou a cobrar Galípolo publicamente por outra explicação em 15 de abril. A explicação que Lula desejava, no entanto, nunca chegou.
Segundo pesquisa PoderData/Aya de 25 de junho, 54% dos entrevistados entendem que a responsabilidade do escândalo é de Lula e 29% do governo de Jair Bolsonaro (PL). Lula culpa Galípolo por isso.
JUROS ALTOS
O 2º ponto de contrariedade de Lula foi a manutenção dos juros altos no ano eleitoral. O petista entende, de acordo com os relatos repassados a este jornal digital, que havia condições de reduzir a Selic em ritmo acelerado.
No entanto, Galípolo e os diretores do Banco Central optaram pela cautela. Em janeiro, a Selic estava em 15%. Teve 4 quedas e hoje está em 14%. Ainda assim, é a taxa de juros real mais alta do mundo.
Em fevereiro deste ano, Lula cobrou publicamente que Galípolo “consertasse” os juros. O ritmo, no entanto, foi considerado extremamente lento pelo petista.
Lula entende que, se Galípolo tivesse reforçado o discurso do PT de que Campos Neto era o principal responsável pelo escândalo e reduzido os juros, sua aprovação neste momento estaria melhor.
Segundo a última pesquisa PoderData/Aya, divulgada em 5ª feira (27.ago), Lula tem 45% das intenções de votos no 2º turno ante 44% de Flávio. É um empate técnico.


