O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou na 5ª feira (27.ago.2026) que o X preste explicações formais em 24 horas sobre possível favorecimento de candidatos. O magistrado atendeu a uma representação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a plataforma. Leia a íntegra da decisão (PDF – 79 kB).
Pelas regras eleitorais, as redes sociais não podem exibir conteúdos de candidatos para quem não os segue, ressalvadas as publicações impulsionadas via pagamento. Desde o início da campanha eleitoral, o X alterou seu algoritmo para impedir que publicações de candidatos registrados na Justiça Eleitoral não sejam recomendados na aba “Para Você” para usuários que não seguem os respectivos perfis.
Segundo a campanha de Lula, esse filtro do X atingiu 665 contas. Mediante cruzamento com o cadastro oficial de redes sociais de candidaturas, a campanha afirmou ter identificado outras 1.559 contas de candidaturas não sujeitas à restrição.
PT VÊ TRATAMENTO DESIGUAL
A ação afirma ter localizado contas de de 275 candidatos do PL que escaparam do filtro, entre as quais as do deputado federal Alfredo Gaspar (AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, de Bia Kicis (DF), deputada federal e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, e do deputado federal Nikolas Ferreira (MG), que concorre à reeleição por Minas Gerais e tem mais de 5 milhões de seguidores no X.
A campanha de Lula argumenta que “a aplicação incompleta do mecanismo produziria tratamento desigual entre candidaturas”, pois algumas deixariam de receber recomendação algorítmica a usuários que não os seguem, enquanto outros permaneceriam potencialmente sujeitos à amplificação promovida pelo sistema.
Depois de questionamentos sobre as omissões, a rede social ampliou a lista de restrição para quase 2.400 perfis na noite de 3ª feira (25.ago). Levantamento da organização Sleeping Giants Brasil e checagens independentes constataram que nomes de variadas correntes políticas vinham aparecendo indevidamente nas recomendações.
MENDONÇA PEDE DADOS TÉCNICOS
Mendonça entendeu que “tratando-se de candidaturas situadas na mesma condição jurídica, a aplicação seletiva do mecanismo, caso efetivamente verificada, é potencialmente apta a produzir assimetria relevante na circulação de conteúdos eleitorais”.
O ministro afirmou que “a propaganda eleitoral encontra-se em curso e eventual recomendação algorítmica indevida é capaz de ampliar, de forma progressiva e de difícil reversão, o alcance de determinadas candidaturas perante usuários que ainda não acompanham seus perfis”.
Mendonça determinou que a empresa de Elon Musk detalhe o funcionamento do seu algoritmo, preserve todos os dados técnicos, listas e códigos relacionados, além de permitir uma auditoria judicial.
As redes sociais usam informações declaradas pelos próprios candidatos ao TSE para aplicar os filtros necessários para o cumprimento da legislação eleitoral.
OUTRO LADO
O Poder360 procurou as assessorias de Alfredo Gaspar, Bia Kicis, Nikolas Ferreira e do X para perguntar se gostaria de se manifestar sobre a representação da campanha de Lula e a decisão de Mendonça. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
