A ex-presidente da Caixa Daniella Marques afirmou que a “prioridade máxima” de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) seria um programa de renegociação de dívidas e de recomposição da capacidade financeira para mais de 100 milhões de brasileiros. Ela é coordenadora de economia da campanha do congressista ao Planalto.
Em entrevista às jornalistas Adriana Fernandes, Idiana Tomazelli e Mariana Carneiro, do jornal Folha de S.Paulo, Marques disse que a ideia é reformular medidas adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de crédito subsidiado para públicos específicos (como os motoristas de aplicativos e os MEIs) e lançar um programa mais abrangente.
“Tem várias medidas sendo estudadas para que a gente seja fiador e use toda a força da Caixa, do Banco do Nordeste, do Banco da Amazônia, para fazer um grande programa de recomposição da capacidade financeira, para reorganizar usando parte do patrimônio dos próprios brasileiros como instrumento de garantia”, declarou.
Questionada se o plano se tratava de um novo Desenrola, programa lançado por Lula, ela negou. Disse que “o Desenrola não funciona. Enrolou todo mundo. É uma chupeta de bateria”.
E declarou: “Vai ser para mais de 100 milhões de pessoas. Uma reestruturação completa e uma recomposição da capacidade financeira, envolvendo inserção nos mercados, formalização, reestruturação de dívida. Vai ser um programa não de curto prazo. Essa é a prioridade máxima do governo de Flávio Bolsonaro”.
CONTROLE DE GASTOS
Na entrevista, Marques declarou que o Brasil “está num colapso absoluto de contas públicas”, o que levou o país “ao maior juro real do mundo e arrastou empresas e famílias brasileiras”.
Qualificando o arcabouço fiscal do governo Lula como uma “regra inócua”, ela defendeu uma regra fiscal, mas não deu detalhes de como pretende cortar equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto, conforme prometido. Segundo Marques, Flávio se comprometeu com uma Proposta de Emenda Constitucional durante a transição de governo, para estabelecer mecanismos de controle de gastos.
“A gente quer propor 3 eixos. O 1º, criar um conselho superior da República. Não há como controlar gastos se não trouxer os 3 Poderes para a mesa. Essa autocontenção é absolutamente necessária”, declarou.
“O 2º pilar é um cardápio de corte de despesas focado em privilégios, regalias, fim de supersalários, corte de cargos comissionados, de ministério. O 3º seria ter governança e capacidade de reestruturar os ativos da União”, disse.
Solicitada a especificar os itens desse “cardápio de corte”, Marques não deu detalhes. “Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a Mãe Dináh”, disse.
FIM DA ESCALA 6 X 1
Em relação à PEC do fim da escala 6 X 1, em tramitação no Senado, Marques declarou que “ninguém é contra”, mas que não acha a questão adequada para o período eleitoral.
“Eu sou a favor da 6 X 1, mas sou a favor também de quem quiser trabalhar 5 X 2, 7 X 7, 3 X 3, 2X 2. Cada um tem a liberdade de ser e fazer o que quiser, o governo não tem de interferir”, disse.
