O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ajudou a lobista Roberta Luchsinger a marcar uma reunião com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, em setembro de 2023. O encontro foi acertado em 3 dias, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal e reveladas pelo jornalista Mateus Coutinho, do Valor Econômico.
Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e é investigada por suspeita de tráfico de influência. À época, ela buscava abrir caminho no governo para um negócio envolvendo medicamentos à base de canabidiol.
As mensagens indicam a seguinte sequência:
- 19.set.2023 – Roberta escreveu a Swedenberger dizendo ser “amiga do Marcola” e afirmou que o então chefe de gabinete havia passado o contato;
- no mesmo dia – Swedenberger respondeu que Marcola já havia avisado que ela ligaria e encaminhou o contato de sua secretária para organizar a agenda;
- 21.set.2023 – Roberta informou a Marcola que se reuniria com Swedenberger às 15h30;
- depois do encontro – disse que o secretário havia sido “super solícito” e afirmou: “teremos coisa ali pra fazer”.
A agenda oficial de Swedenberger daquele dia não registra encontro com a empresária. Consta uma reunião do Proadi-SUS das 14h às 15h30, sem outro compromisso depois desse horário.
Os contatos continuaram em 2024. Em fevereiro, Roberta disse a Marcola que ela e Fábio haviam analisado uma situação e que era necessário marcar uma nova reunião com Swedenberger para tratar do “negócio do canabidiol”. Em março, enviou ao ex-assessor um organograma do Ministério da Saúde com áreas destacadas e pediu atenção ao tema. Marcola respondeu que falaria sozinho com Swedenberger antes de um almoço entre os 3.
A PF investiga a tentativa de viabilizar para a World Cannabis, empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um contrato com o Ministério da Saúde. Roberta recebeu R$ 1,5 milhão da empresa, segundo a investigação. A minuta do negócio mencionava a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões. O contrato não foi fechado.
Marcola afirmou, por meio de sua defesa, que nunca intermediou negociações nem encaminhou documentos sobre compras ou licitações no governo. A defesa de Lulinha disse não poder confirmar a autenticidade das mensagens e afirmou que ele não tem relação com os negócios de Roberta.
O Ministério da Saúde declarou que o canabidiol não está incorporado ao Sistema Único de Saúde e que nunca houve possibilidade de contratação ou discussão para ofertar o produto na rede pública.
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