O indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), para ser embaixador do país no Brasil, Daniel Perez, disse no último domingo (23.ago.2026) que não vai se envolver na eleição brasileira. A declaração foi dada a um programa do canal Local 10, da Flórida.
“Não haverá nenhum envolvimento da minha parte em relação à eleição no Brasil. Isso é algo para os brasileiros decidirem”, afirmou Perez. “Eles têm um processo eleitoral pelo qual têm de passar em outubro, e qualquer um que sair vitorioso do outro lado, eu acho que será o líder do Brasil e será com quem eu vou trabalhar”, acrescentou.
O diplomata disse ainda que busca “avançar em um caminho positivo” nas negociações com Brasília.
“Atualmente há um pequeno impasse entre Brasil e EUA, e é difícil estar nessa situação com um país assim, porque é um parceiro comercial muito grande para nós, o maior na América do Sul. Mas acho que, assim que eu chegar lá, construir relações, espero que possamos superar essas lacunas”, declarou.
Perez aguarda aval do governo Lula
A indicação de Perez já foi aprovada pelo Senado dos EUA e agora aguarda a concessão do agrément —aval diplomático— pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Essa nomeação veio depois de um período de 17 meses sem embaixador norte-americano no Brasil. Desde a saída de Elizabeth Bagley, em janeiro de 2025, os EUA mantêm um encarregado de negócios no país.
O presidente Lula voltou a afirmar em 14 de agosto que o Brasil só dará o agrément ao indicado de Trump depois das eleições.
A decisão do governo brasileiro frustrou os EUA, que, em resposta, decidiram cancelar o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington.
O Planalto não pretende rejeitar a indicação, mas deve conceder o agrément somente a partir de novembro.
Um dos motivos para a demora na aprovação de Perez foi o processo de nomeação. A administração Trump só encaminhou ao governo Lula o pedido formal de agrément depois de anunciar publicamente a indicação.
O entendimento é de que a sequência contraria a prática diplomática. Em geral, o nome do embaixador só é submetido ao Legislativo do país de origem depois que o país receptor concede o agrément.
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