O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), elogiou nesta 4ª feira (26.ago.2026) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por reconhecer que errou ao aprovar a cobrança de imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas em sites estrangeiros, a chamada “taxa das blusinhas”.
“No seu mesmo governo, em outra oportunidade, nós colocamos a taxação. E agora o senhor reconhece e entende a necessidade de [retirar a taxa]. Quero lhe parabenizar pela coragem. Era mais cômodo, talvez, ficar com a legislação da cobrança para que o Estado pudesse arrecadar. Mas me permita, sem a sua autorização, que parte da conversa que o senhor teve conosco foi dizendo que não é justo uma pessoa que tem condições de viajar para o exterior, adquirir US$ 2.000 em compras e não pagar nada de imposto. E não é justo um cidadão brasileiro humilde, isso saiu da boca do presidente há pouco, ter que pagar taxa sobre uma compra de US$ 50″, disse o senador.
A declaração se deu depois de um almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em Brasília. No encontro, ficou acertado que o Congresso aprovará a Medida Provisória que acaba com a cobrança da alíquota.
A comissão especial que analisa o texto será instalada na 3ª feira (1º.set.2026). A relatoria será do Senado e a presidência, da Câmara.
TAXA DAS BLUSINHAS
O texto foi assinado por Lula em 12 de maio de 2026 e perde a validade em setembro. O prazo final para a análise do Legislativo termina em 8 de setembro.
A medida mantém isentas de imposto federal de importação as compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em sites estrangeiros. A cobrança do ICMS, imposto estadual que também incide sobre essas compras, não é afetada e continua variando conforme o Estado.
RELEMBRE A TAXAÇÃO
Agora criticada por Lula e parte de seus aliados, a taxa das blusinhas foi criada em 2024 e defendida pela equipe econômica do governo. Contou com a atuação de aliados do Planalto para entrar em vigor. Lulistas defendiam que a cobrança dava isonomia tributária para as empresas do Brasil.
A tributação recebeu apoio dos ex-presidentes da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Houve um acordo entre os partidos para que o projeto de lei fosse aprovado sem veto na taxa das blusinhas, mas o relator no Senado, senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), retirou a tributação do texto.
O governo precisou atuar para viabilizar a tributação. Nenhum deputado do PT votou contra a proposta antes de o texto ir para sanção presidencial.
A cobrança, no entanto, tornou-se um dos principais símbolos negativos do governo entre as classes C e D. Em março, o imposto foi considerado o maior erro do presidente por 62% dos entrevistados pela pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. Leia a íntegra do estudo (PDF – 4 MB).
De olho na eleição de outubro, o Palácio do Planalto passou a defender internamente o fim da cobrança. A estratégia foi desenhada pela ala política do governo, sob comando do ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, com apoio da Casa Civil.
