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Lula 4 pode virar um novo Dilma 2, diz advogado

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Lula 4 pode virar um novo Dilma 2, diz advogado

O advogado especialista em direito tributário Leonardo Alves Canuto afirmou que o Brasil corre o risco de repetir os erros que levaram ao cenário fiscal do 2º governo de Dilma Rousseff. Em entrevista ao PoderDataCast, na 5ª feira (20.ago.2026), Canuto afirmou que as medidas econômicas adotadas pelo governo em 2026 têm caráter híbrido, com iniciativas tecnicamente justificáveis e outras com viés eleitoral.

Segundo ao advogado, a manutenção ou expansão dessas despesas, sem uma estratégia para reduzir a dependência dos benefícios, pode produzir um deficit crescente. “Eu acredito que nós estamos preparados para viver um outro Dilma, sem dúvida nenhuma. Até porque a matemática não aceita certas extravagâncias”, disse.

Assista (1min7s):

O advogado afirmou que a ausência de um planejamento de longo prazo pode criar problemas para as contas públicas. Segundo ele, a redução ou criação de receitas não pode ser analisada só pelo efeito imediato, porque o governo precisará compensar posteriormente os recursos que deixarão de entrar no caixa.

Todo benefício que é desenhado nesse momento vai ter que ser recomposto por uma outra tarifação, por uma outra injeção de capital, porque o governo não consegue viver de outra forma e de receita que não seja a tributação”, declarou.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Questionado sobre a Reforma Tributária, Canuto criticou a condução do processo e afirmou que as mudanças causam insegurança para cidadãos, empresários e investidores.

Eu acho que essa reforma tributária é uma catástrofe. É mais um dos despreparos dos legisladores que atropelam tudo”, disse.

Assista (2min3s):

Segundo o advogado, parte da população ainda não sabe quais serão os efeitos das mudanças. Ele afirmou que alterações e adiamentos durante o processo aumentam a insegurança e desviam a atenção do governo de outras prioridades.

Canuto também declarou que a maior parte das medidas não beneficia diretamente a população de menor renda. Para ele, o excesso de burocracia e a presença do Estado dificultam a produção de riqueza pelo setor privado.

Eu acho que são mais medidas que vão viciando ainda mais esse ciclo eterno de dependência governamental, porque a população não consegue criar suas condições de produzir receita”, afirmou.

ELEITORADO MAIS EXIGENTE

O diretor de Pesquisa do Instituto Locomotiva, João Paulo Resende da Cunha, que também participou do programa, afirmou que o eleitor brasileiro se tornou mais crítico em relação às políticas econômicas.

Segundo ele, existe uma percepção de que governos costumam anunciar benefícios em anos eleitorais. A população, porém, tende a avaliar positivamente algumas medidas mesmo quando reconhece que elas podem ter motivação eleitoral.

Resende citou como exemplo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000. Segundo ele, a medida é bem avaliada porque transmite uma percepção de justiça, independentemente de o eleitor ser diretamente beneficiado.

Já a chamada “taxa das blusinhas” enfrenta maior resistência porque passou por mudanças e recuos. Para o pesquisador, isso contribui para uma percepção de falta de convicção na política adotada.

ECONOMIA E VOTO

Resende afirmou que a percepção sobre a economia está entre os principais fatores considerados pelo eleitor na hora de votar. Custo de vida, renda e perspectivas para o mercado de trabalho estão entre os aspectos que influenciam essa avaliação.

Segundo ele, o brasileiro não está satisfeito com a situação econômica do país. Dependendo da pesquisa, menos de 1/3 da população afirma que a economia melhorou no último ano.

O pesquisador também afirmou que existe um descolamento entre indicadores econômicos, como crescimento do PIB e inflação, e a percepção da população sobre a situação do país.

Para Resende, o eleitorado de menor renda também mudou suas expectativas. Depois de um período de ampliação do acesso ao consumo e a serviços, a demanda passou a ser por maior qualidade de vida.

O nível de exigência para o passo seguinte começa a ser, por exemplo, qualidade de vida. Não é simplesmente o tênis, não é simplesmente eu consegui ter um nível de renda através de programas de transferência que me permitam comprar comida. O meu próximo nível de exigência passa a ser o nível da qualidade e não mais o nível do acesso.”

🎧 PODERDATACAST

O episódio faz parte da nova temporada do PoderDataCast, podcast do Poder360 voltado ao debate de pesquisas eleitorais e de opinião pública. O programa, comandado pelo editor de Pesquisas, Jonathan Karter, é transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 18h30, no canal do Poder360 no YouTube.

Assista à entrevista completa (45 min):

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