José Sergio Gabrielli, coordenador-geral do programa de governo da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu um aumento na cobrança de imposto dos super-ricos. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada na 2ª feira (24.ago.2026), ele também falou sobre a possibilidade de que o Tesouro Nacional intervenha no mercado de títulos públicos para reduzir os juros de longo prazo.
Gabrielli disse que, uma das mudanças em um eventual novo mandato do petista poderia ser a recompra dos títulos públicos –como o feito pelos Estados Unidos esse mês.
O objetivo do movimento é reduzir a volatilidade na curva de juros, uma das principais referências para as decisões do Banco Central, especialmente as que mexem com a Selic.
Em março, o Tesouro Nacional realizou duas recompras de títulos públicos que somaram R$ 43,6 bilhões. A medida foi motivada pela disparada do preço do petróleo provocada pela guerra no Irã.
A ação de março foi a maior intervenção da história em valor nominal, superando a megaoperação de 2020, durante a pandemia de covid-19, quando a instituição recomprou R$ 35,56 bilhões em títulos ao longo de 15 dias.
As movimentações também superaram recompras feitas em outros episódios de tensão no país, como as manifestações de 2013 e a greve dos caminhoneiros de 2018.
Gabrielli disse que a alta da dívida pública do Brasil não se deve a um descontrole nos gastos do governo, mas sim aos encargos dos juros.
PROGRAMA DE LULA
O Partido dos Trabalhadores registrou no Tribunal Superior Eleitoral, em 7 de agosto, a candidatura de Lula à reeleição. Com isso, divulgou o programa de governo. O documento trata de “justiça tributária e da redução de desigualdades”. Eis a íntegra (PDF – 3 MB).
Sob a diretriz de “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”, a sigla detalhou as medidas para reformular a tributação sobre renda e patrimônio no Brasil. Segundo o documento, o governo avançou ao fechar “diversas brechas” que só criavam “distorções na economia”, citando como marcos a “tributação de offshores e fundos exclusivos”.
A maior contribuição dos super-ricos é apresentada como o motor financeiro para o alívio fiscal das famílias brasileiras.
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