A Polícia Federal declarou em representação que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tinha “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a PF, ele conduzia negócios em conjunto com a empresária, que tentava obter contratos com o governo federal.
O documento enviado ao Supremo Tribunal Federal levou à abertura de um dos inquéritos contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suspeita de tráfico de influência. O documento está sob sigilo e foi obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, que o divulgou na 5ª feira (20.ago.2026).
Sociedade oculta
Na representação, segundo o jornal, a PF indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP), investigado na operação Lava Jato— mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à cannabis medicinal que tentaram vender ao Ministério da Saúde.
Delegados da PF afirmaram que a atuação de Lulinha, Roberta e Bittar não se limitava a lobby ou à representação de interesses perante a administração pública.
Segundo o documento obtido pela Folha, a PF apontou que as condutas atribuídas ao trio “extrapolam significativamente os limites éticos e legais inerentes a essa atividade”, porque visam “à facilitação da obtenção de contratos públicos, à promoção de alterações legislativas em benefício de interesses privados específicos e à realização de pagamentos a agentes públicos ocupantes de cargos de elevada hierarquia”.
“Os elementos reunidos indicam que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução de interesses relacionados ao mercado do canabidiol junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial, tendo Fábio Luís Lula da Silva aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”, diz o texto.
“Comunhão de interesses”
O documento da PF obtido pela Folha diz que, apesar de Roberta participar formalmente de “diversas pessoas jurídicas”, não há identificação de vínculos societários formais com Lulinha.
Eles “mantinham estrutura informal de atuação voltada à captação, gestão e execução de demandas de interesse privado perante agentes públicos, com expectativa de obtenção de vantagens econômicas decorrentes dessas intervenções”, segundo o órgão.
“A conclusão decorre não apenas da frequência dos contatos identificados [entre os sócios], mas principalmente do conteúdo das conversas mantidas por seus integrantes, as quais evidenciam vínculo associativo estável, comunhão de interesses econômicos e atuação conjunta na condução de negócios”, diz a representação.
O inquérito da PF ligado a esse documento trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. Lulinha é alvo de outros 2 inquéritos.
Na 5ª feira (20.ago.2026), a defesa de Lulinha disse ao Poder360 que existe uma motivação política por trás das investigações da PF. Afirmou que espera uma responsabilização pelos vazamentos seletivos.
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