O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou na 5ª feira (20.ago.2026) que a Polícia Federal investigue os vazamentos e quebras do dever de custódia de provas das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mendonça atendeu a um pedido da defesa de Lulinha, que é alvo de inquéritos sobre possível tráfico de influência. Na decisão, o ministro cita reportagens que expuseram conversas de aplicativos, trechos de representações policiais e detalhes de inquéritos que estão sob sigilo. Leia a íntegra (PDF – 175 kB).
O magistrado, porém, reforçou que o foco não são os jornalistas responsáveis pelos textos publicados.
“A investigação que já se encontra em curso não deve ter como foco, em hipótese alguma, os autores ou quaisquer responsáveis pela veiculação das notícias jornalísticas. Isso porque referidas matérias tão somente evidenciaram o desvelamento do sigilo de dados que, por óbvio, foram disponibilizados aos profissionais”, disse Mendonça.
Segundo o ministro, o objetivo é “identificar esses eventuais sujeitos, que não são profissionais jornalistas (com ou sem diploma), e, bem por isso, tinham o dever funcional de preservar o sigilo das informações acessadas, ou careceriam de permissão legal para tê-las acessado”.
A revista Veja divulgou na 5ª feira (20.ago) imagens de mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. O material revelou uma estrutura de intermediação entre interesses privados e órgãos da administração pública federal. As informações foram confirmadas pelo Poder360.
Leia as mensagens trocadas entre Lulinha e a amiga lobista nesta reportagem.
Leia mais:
- Defesa de Lulinha fala em interferência política na PF
- Mansão usada por Lulinha foi alugada por testemunha da Lava Jato
- Lulinha tinha “comunhão de interesses econômicos” com lobista, diz PF
- “Quero R$ 100 mi neste ano”, disse amiga de Lulinha em 2024
- PGR não vê provas de contratos do Careca do INSS com governo Lula
- Lulinha reclamou de Kalil usar seu nome em negócio na Telebras
- Lobista disse que “tinha que tirar” Lulinha do Brasil até junho de 2025
- Lobista amiga de Lulinha mandava motorista entregar dinheiro em malas
- “Fernando, Lulinha e eu somos uma coisa só”, disse lobista
- Lobista diz que Lulinha “só entra em campo quando precisa”
- Lobista Roberta Luchsinger diz que Lula lhe ofereceu cargo no governo
- Lobista cobrou Lulinha para “se mexer” por negócio de R$ 1 bilhão
OUTROS LADOS
Ao Poder360, a defesa de Lulinha voltou a criticar o que considera como “vazamento criminoso” das investigações. Segundo o advogado Marco Aurélio Carvalho, há um objetivo de influenciar o processo eleitoral utilizando o filho do presidente, sem que haja provas que o incriminem.
“Enquanto isso, Flávio Bolsonaro segue sem explicar a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em área nobre de Brasília, é alvo de denúncias por rachadinha e lavagem de dinheiro, e tem investigações que apontam ligação com milícias do Rio”, afirmou Carvalho.
Procurada por este jornal digital, a defesa de Roberta Luchsinger não quis se manifestar.
QUEM É ROBERTA LUCHSINGER
Roberta Moreira Luchsinger é diretora da RL Consultoria e Intermediações S.A. e ficou conhecida por sua proximidade com o presidente Lula e com seu filho, Lulinha.
Em 2018, disputou uma vaga de deputada estadual por São Paulo pelo PT, mas não foi eleita. Posteriormente, filiou-se ao PSB. Em 2017, ganhou notoriedade ao anunciar a intenção de doar R$ 500 mil em dinheiro e bens ao então ex-presidente Lula, depois do bloqueio de seus bens determinado pela operação Lava Jato. A doação acabou impedida pela Justiça em razão de dívidas da empresária.
Nos últimos meses, Roberta passou a ser investigada na operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Na investigação, ela foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo a PF, a RL Consultoria prestou serviços a uma empresa ligada ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tendo recebido cerca de R$ 1,5 milhão. Os investigadores apuram se Roberta teria atuado como intermediária em pagamentos relacionados ao esquema. A defesa da empresária nega irregularidades e afirma que a amizade dela com Lulinha tem sido explorada politicamente.
O nome de Roberta voltou ao noticiário nesta semana após a divulgação de que ela realizou transferências ao então chefe de gabinete pessoal do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O ex-assessor afirmou que os valores se referem ao pagamento de um empréstimo de natureza pessoal, já quitado.
Nas redes sociais, Roberta mantém publicações de apoio ao presidente Lula e costuma compartilhar registros de viagens e manifestações sobre as investigações das quais é alvo. Até o momento, ela nega qualquer participação em irregularidades e não há condenação contra a empresária.
