O candidato a deputado federal e ex-ministro José Dirceu (PT-SP) criticou nesta 5ª feira (20.ago.2026) a PEC 65 de 2023, que assegura autonomia orçamentária ao Banco Central. A proposta de emenda constitucional aguarda votação no plenário do Senado. Em entrevista ao Poder360, afirmou que a o texto transformaria a autoridade monetária “em um 4º Poder”.
“Sou contra totalmente. Uma coisa é você viabilizar […] Agora, você transformar o Banco Central num 4º Poder, com relação direta com o Senado, fora do Orçamento da União, não precisa disso. E ainda mais, podendo usar a senhoriagem como fundo”, declarou Dirceu.
Assista à íntegra da entrevista (59min35s):
Dirceu disse que a proposta faria o BC ser uma “entidade completamente inconstitucional”. Entretanto, defendeu mais recursos para a autarquia.
Segundo o ex-ministro, já há autonomia para o Banco Central.
CRITICA JUROS
O petista afirmou que a definição da taxa básica de juros “é política” e que há “hipocrisia” nas críticas feitas ao governo quando se opina sobre o tema. “Por que temos essa Selic de 14%? Qual é a explicação?”, questionou.
O Comitê de Política Monetária atual é formado por 7 nomes, todos indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há duas vagas não preenchidas: diretores de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. Lula ainda não submeteu os nomes ao Senado.
O economista Gabriel Galípolo preside o BC. Dirceu pôs em xeque a política monetária vigente: “Como é que ele explica o passado dele, o que ele dizia, o que ele escrevia e a política que está sendo conduzida?”
O ex-ministro, entretanto, disse que a diretoria do BC não é problema, mas o “sistema” e defendeu mudanças.
“Essa ideia de que a causa do juro alto é o deficit primário. É isso que precisa ser discutido. O sistema financeiro não precisa ser discutido? A meta de inflação, como o Copom toma decisões, o Focus, a concentração bancária, a renúncia fiscal?”, declarou.
QUEM É DIRCEU
José Dirceu de Oliveira e Silva, 80 anos, foi ministro da Casa Civil no 1º governo Lula, de 2003 a 2005, e presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, de 1995 a 2002. Deputado federal por São Paulo, teve o mandato cassado pela Câmara em 2005, durante as investigações da Ação Penal 470, conhecida como Mensalão.
Foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal em 2012 por corrupção ativa e preso em 2013. Também foi alvo da operação Lava Jato a partir de 2015. Em 2024, o STF anulou suas condenações na operação e restabeleceu seus direitos políticos.
Em 2026, disputa uma vaga de deputado federal por São Paulo.


