O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (20.ago.2026) que o governo federal vai concluir “este ano” a transposição do rio São Francisco. Segundo ele, a obra é a maior intervenção hídrica já feita no mundo. A afirmação foi feita durante evento do anúncio de um supercomputador nacional dedicado à inteligência artificial. O equipamento deve ficar entre as 10 máquinas mais potentes do mundo.
“Hoje, eu tenho orgulho de dizer que nós vamos terminar este ano a maior obra hídrica feita no mundo, que é a transposição do rio São Francisco”, disse Lula, durante evento em Natal (RN).
O discurso foi dentro do período conhecido como “defeso eleitoral”, que vale desde 4 de julho de 2026 até a eleição. Lula teve a candidatura à reeleição confirmada pelo PT em 2 de agosto.
Pela Lei das Eleições (Lei 9.504 de 1997) e por resolução do TSE, agentes públicos ficam proibidos, nesse período, de fazer publicidade institucional de obras, programas e serviços públicos, e candidatos não podem participar de inaugurações de obras públicas. A regra tem exceção para conteúdo de utilidade pública.
A transposição do rio São Francisco ainda não foi entregue. Lula prometeu concluí-la neste ano. Cabe à Justiça Eleitoral avaliar, caso provocada, se declarações e eventos como esse se enquadram nas vedações da lei.
OBRA ANTIGA
Segundo o presidente, a obra soma quase 1.400 km de canal e mais de 15 mil km de adutoras, beneficiando 15 milhões de nordestinos.
Lula lembrou que a transposição já havia sido tentada por Dom Pedro II, ainda no período imperial, mas esbarrou em disputas entre Estados pelo controle das águas do rio.
“Tinha Estado que achava que era dono do São Francisco. Tinha presidente da República que ia no Ceará e prometia, o povo do Ceará aplaudia. Chegava no outro Estado que era contra, o presidente não tinha coragem de falar”, afirmou.
O presidente reforçou que o rio é um patrimônio nacional. “O São Francisco é um rio nacional, ele é do Brasil, ele não é de nenhum Estado pessoalmente”, disse.
Apesar de idealizado desde o período imperial, o projeto de transposição só começou a sair do papel em 2007, no 2º mandato de Lula.
Mesmo com a obra iniciando no governo do petista, o presidente já havia culpado outras gestões pelo atraso na transposição. Em 2025, disse que “algumas pessoas que deram o golpe” depois que o PT deixou a Presidência negligenciaram as obras de transposição do rio São Francisco e “não fizeram o que tinham que fazer”. A declaração foi uma crítica aos governos de Jair Bolsonaro (PL) e de Michel Temer (MDB).
O governo Bolsonaro travava um embate com administrações petistas porque reivindicava a autoria das obras do São Francisco como uma de suas principais entregas. Enquanto estava no Planalto, o então chefe do Executivo viajou ao Nordeste para inaugurar e visitar trechos do empreendimento.
Para Lula, a obra só saiu do papel porque o governo enfrentou as resistências políticas.
“Tomar a decisão de fazer a transposição era uma decisão política, que tinha companheiros deputados contra, que tinha governadores contra, que tinha ministros contra, que tinha doutores contra. E aí não tem outro jeito. Governar é tomar decisão”, declarou no evento.
