Últimas

Haddad defende “passar a régua” em investigações sobre Lulinha

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, declarou nesta 4ª feira (19.ago.2026) ser a favor de “passar a régua” em todos os investigados por corrupção, para que as suspeitas de delitos sejam comprovadas ou descartadas. A declaração se refere a casos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República.

Haddad participou de sabatina realizada pela rádio CBN, pelo jornal O Globo e pelo Valor Econômico. O petista foi questionado se investigações sobre integrantes do governo ou pessoas ligadas ao PT podem prejudicar sua campanha no Estado. Segundo os entrevistadores, há uma percepção entre eleitores paulistas de que o partido está associado a episódios de corrupção.

De acordo com o candidato, é “muito difícil conseguir blindar [o governo] da ação deletéria de pessoas interessadas em obter vantagens do serviço público” e que “em todo lugar vai achar”.

“A pessoa errou, eu não quero saber o partido, a religião, o time de futebol, paga. […] Sou a favor de passar a régua em quem quer que seja, porque tem uma lei, ela tem que ser respeitada”, afirmou.

Haddad disse também respeitar Lula por “nunca ter visto o presidente mexer um dedo” para interferir em investigações contra qualquer pessoa.

“Pode ser amigo, filho, parente, nunca vi o presidente Lula mexer um dedo, falar uma coisa, dizer: ‘Olha, não vamos mexer’, nunca vi. A Polícia Federal, 100% de liberdade sempre; o Ministério Público, 100% de liberdade sempre. O discurso dele público sempre: ‘Eu não vou passar pano para ninguém, quem tiver que responder, responda, eu respondo pelos meus atos, cada um responde pelos seus atos’. Se você achar alguma coisa que está fora de ordem, cumpra a lei e acabou, não tem problema”, declarou.

LULINHA E MARCOLA

Marcola deixou o cargo de assessor pessoal do presidente Lula em julho de 2026 para integrar a equipe de campanha. A saída se deu após repercussão sobre pagamentos recebidos da empresária Roberta Luchsinger, investigada em apuração sobre supostas fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.

O nome de Roberta Luchsinger já era acompanhado por investigadores. Conforme reportagem do Poder360 publicada no final de julho de 2026, a lobista atuou como principal elo em investigação da PF (Polícia Federal) sobre suspeita de tráfico de influência envolvendo Lulinha e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo a Polícia Federal, Roberta recebeu R$ 1,5 milhão de Antonio Carlos. Em uma das transferências, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, em referência a Lulinha.

O Poder360 mostrou ainda, em reportagem publicada em 17 de agosto de 2026, que a lobista afirmou a Lulinha que o futuro dos 2 era “a Suíça”. As mensagens, registradas em março de 2024, citam encontros com Marcola e Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.

O Poder360 fez reportagens exclusivas sobre os escândalos que envolvem Lulinha. O jornal antecipou o anúncio da Polícia Federal e noticiou em 1ª mão o recebimento de mesada pelo filho do presidente Lula do “Careca do INSS”.

OUTROS LADOS

A defesa de Lulinha declarou ao Poder360 que não comentaria “fragmentos de informações sigilosas” divulgados fora de contexto. Afirmou ainda que se manifestará nos autos do processo após obter acesso integral aos dados das quebras de sigilo.

O Poder360 questionou a defesa de Roberta Luchsinger sobre a compra de joias feita pela lobista ao ex-chefe de gabinete de Lula. A defesa afirmou estar respeitando o sigilo dos autos e preferiu não se posicionar.

Este jornal digital também fez o mesmo questionamento a Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.

Haddad defende “passar a régua” em investigações sobre Lulinha — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado