A Disney processou a FCC (Comissão Federal de Comunicações) dos Estados Unidos na 3ª feira (18.ago.2026), acusando o órgão regulador de promover uma “campanha retaliatória” contra a ABC, rede de televisão pertencente ao conglomerado.
A empresa afirma que a FCC, sob o governo de Donald Trump, viola direitos garantidos pela 1ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
A ação foi protocolada no Tribunal Federal do Distrito de Columbia. Segundo a CNN, que teve acesso à petição, a Disney afirma que o governo “travou uma campanha retaliatória contra a ABC por uma única razão: desaprovação do que a ABC transmite”.
A Disney diz que as investigações da FCC já afetam o conteúdo levado ao ar. Segundo a petição, desde o início do escrutínio do órgão regulador, o programa The View se tornou “mais cauteloso na escolha de políticos” para participar dos debates. Nenhum candidato participou do programa desde 2 de fevereiro de 2026, segundo a petição.
O processo tem como pano de fundo uma série de ações do presidente da FCC, Brendan Carr, aliado de Trump, contra a emissora. Carr abriu investigações sobre o The View por suposta violação da regra de “tempo igual” para candidatos políticos.
O programa é conhecido por receber críticas frequentes de Trump. Carr também determinou que a ABC iniciasse antecipadamente o processo de renovação das 8 licenças de estações de televisão controladas diretamente pela Disney, embora ainda faltem anos para o vencimento das autorizações. As licenças de radiodifusão são renovadas a cada 8 anos e raramente são revogadas. Até este ano, a FCC não havia emitido uma ordem de renovação antecipada em mais de 50 anos.
A Disney possui 8 estações diretamente, entre as mais de 200 afiliadas da ABC espalhadas pelos Estados Unidos. Apenas essas 8 são alvo da FCC, por transmitirem pelo espectro público de radiodifusão.
Na ação, a Disney pediu ao tribunal uma ordem de restrição temporária e uma liminar para impedir Carr de prosseguir com o processo de revisão das licenças. “A intervenção deste tribunal é necessária para deter o extraordinário ataque à liberdade de expressão promovido pela Comissão Federal de Comunicações”, diz a petição.
A empresa afirma que recorreu à Justiça “com relutância”, argumentando que não há “meio alternativo para eliminar essas ameaças contínuas e imediatas a não ser a capitulação total às exigências do governo”.
OUTRO LADO
Em resposta, a FCC emitiu nota afirmando que “examina alegações de que a Disney praticou discriminação ilegal por meio de práticas de DEI [Diversidade, Equidade e Inclusão] há mais de 1 ano” e classificou a ação da empresa como parte de “uma campanha contínua de desinformação”.
