O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta 3ª feira (18.ago.2026) a decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerar, em ano eleitoral, o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. O ex-governador de Goiás afirmou que a gestão petista age de “má-fé”.
Questionado se manteria a alíquota zero ou retomaria a cobrança de 20% em eventual governo, Caiado não definiu sua posição. Disse que ouvirá “todos os segmentos da sociedade” antes de tomar uma decisão.
“As decisões serão tomadas com muito equilíbrio. Eu saberei discuti-las e aplicá-las no momento certo, jamais na tese do oportunismo da prévia de uma campanha eleitoral”, declarou.
A fala foi feita durante evento promovido pela FPN (Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios), pelo IUB (Instituto Unidos Brasil), pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e pelo Ranking dos Políticos, em Brasília.
Caiado afirmou que o governo tenta “comprar a boa-fé das pessoas” ao retirar a cobrança perto da eleição. Também classificou a mudança como uma “prática criminosa” e “desrespeitosa com a população brasileira”.
“É um governo que é uma cleptocracia, é um governo de ladrões”, disse.
Segundo o candidato, um eventual governo seu adotaria regras fiscais que classificou como claras e buscaria oferecer segurança jurídica para atrair investimentos.
O Poder360 procurou 2 assessores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva por meio de mensagens no WhatsApp para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito das falas de Ronaldo Caiado. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.
TAXA DAS BLUSINHAS
A chamada “taxa das blusinhas” era uma alíquota federal de 20% aplicada às compras internacionais de até US$ 50 feitas em plataformas inscritas no programa Remessa Conforme, como Shein, Shopee e AliExpress.
A cobrança foi estabelecida pela lei 14.902 de 2024, sancionada por Lula, e entrou em vigor em 1º de agosto de 2024.
Em 12 de maio de 2026, o presidente editou a MP 1.357 de 2026, que autorizou o Ministério da Fazenda a alterar as alíquotas. Uma portaria publicada no mesmo dia zerou o Imposto de Importação nessa faixa.
A comissão mista responsável pela análise da MP foi instalada em 12 de agosto de 2026. O colegiado ainda aguarda a indicação do relator e tem reunião marcada para 1º de setembro.
O texto precisa ser aprovado pela comissão e pelos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro. Se perder a validade, a alíquota federal de 20% volta a ser cobrada.
Segundo dados da Receita Federal, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com a tributação de encomendas internacionais em 2025. Em 2024, a receita foi de R$ 2,88 bilhões. No período, o número de remessas caiu de 189,1 milhões para 165,7 milhões.
