O Poder360 pediu diversas vezes autorização à Presidência da República para usar um drone durante o ato de lançamento da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (16.ago.2026), no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). Os pedidos foram negados.
A falta de autorização impediu que este jornal digital produzisse imagens aéreas do evento e fizesse uma contagem independente e mais precisa do público. O PT afirmou que 40.000 pessoas participaram do comício, número próximo da capacidade total do estádio, de 41.138 pessoas. Antes do ato, a expectativa divulgada pela sigla era de até 20.000 presentes.
O profissional contratado pelo Poder360 para realizar as imagens aéreas afirmou que solicitou autorização à equipe presidencial em mais de uma ocasião. Segundo ele, os pedidos foram negados sob a justificativa de que havia um protocolo do Gabinete de Segurança Institucional para o evento.
Também foi informado que, caso o drone fosse colocado no ar sem autorização, o equipamento seria “recolhido” pelos agentes de segurança e o credenciamento da equipe seria cancelado.
A restrição não atingiu apenas o Poder360. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common divulgaram uma nota informando que também não conseguiram estimar o público do comício porque a campanha de Lula não autorizou o sobrevoo de drones. Eis a íntegra (PDF – 470 kB).
As entidades afirmaram que a segurança presidencial dispõe de sistemas para detectar e neutralizar drones não autorizados, mas disseram que as regras não representam uma proibição absoluta. Segundo a nota, o próprio GSI permite a operação de equipamentos previamente cadastrados e autorizados em eventos com a presença do presidente.
O Monitor afirmou que recebeu autorização para usar um drone no comício de Lula no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2022. Na ocasião, a equipe estimou um público de 9.600 pessoas a partir das imagens aéreas. Para o ato de domingo (16.ago), o grupo disse ter solicitado novamente a liberação, sem sucesso.
O ato marcou o lançamento da campanha de Lula à reeleição. Chamado de “Onde tudo começou”, o evento explorou a ligação do presidente com o local, conhecido anteriormente como estádio da Vila Euclides e palco das greves dos metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Lula discursou por 36 minutos e fez acenos a mulheres e evangélicos, defendeu a eleição de uma bancada maior de aliados no Congresso e abordou temas como segurança pública e soberania nacional.
A estimativa de 40.000 superou a expectativa divulgada anteriormente pelo próprio partido, de até 20.000 pessoas, e ficou próximo da capacidade total indicada para o estádio, de 41.138. Desse total, 12.578 lugares são nas arquibancadas; o campo também foi usado para receber o público. A campanha não informou qual metodologia utilizou para chegar ao número.
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