O Partido Liberal, do senador Flávio Bolsonaro, é a sigla com a menor proporção de candidatos negros para as Eleições de 2026. Terá 1.625 políticos disputando algum cargo eletivo neste ano, sendo 61,0% deles autodeclarados brancos, 31,4% pardos e 6,3% pretos.
A média nacional é de 48,7% brancos, 36,2% pardos e 13,6% pretos. Os percentuais tiveram leves variações em relação ao observado em 2022, no último pleito geral.
Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e foram atualizados às 19h30 de domingo (16.ago.2026). O prazo para envio dos registros terminou às 19h de sábado (15.ago), mas o dado final de candidaturas ainda não é conhecido porque há um atraso nos sistemas da Justiça Eleitoral para computar todas as atualizações. As variações serão mínimas daqui para frente e não mudarão as análises desta reportagem.
A sigla com a maior proporção de negros é o PCB (65,2%), mas esse partido lançou só 23 candidatos. Na sequência com mais pretos e pardos proporcionalmente, aparecem o Mobiliza (63,6%) e a Rede (62,6%).
O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também fica abaixo da média entre negros, mas o percentual do partido (49,5%) fica muito próximo da “nota de corte” geral.

No recorte de gênero, o PL também está abaixo da média. Terá 33,0% de mulheres entre seus candidatos, ante 67,0% de homens.
A média geral, considerando todos os partidos, é 34,8% de mulheres e 65,2% de homens.
O partido com mais mulheres candidatas, proporcionalmente, é o UP (53,2%), seguido do PC do B (44,5%) e do Cidadania (42,5).

Os dados desta reportagem são importantes porque Flávio Bolsonaro, o principal candidato do PL, tenta melhorar seu desempenho entre mulheres e também entre negros.
O senador se sai pior que o presidente Lula em simulações de 2º turno nesses grupos, que são maioria na população.
Segundo o Censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres são 51,5% dos brasileiros. Os negros correspondem a 55,5%.
A campanha de Flávio sabe da dificuldade do político em agradar certos estratos da sociedade. Vem fazendo consecutivos acenos a grupos específicos, como para o eleitorado feminino, mas não tem tido o sucesso esperado até o momento, segundo os dados das últimas pesquisas eleitorais.
O senador tinha como objetivo, por exemplo, ter uma vice mulher em sua chapa à Presidência da República. Tentou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Não deu certo. Escolheu, no fim, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
O 1º turno da eleição será em 4 de outubro e o 2º, se necessário, em 25 de outubro. Os candidatos concorrem ao cargo de presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital (no caso específico de Brasília).
Os dados citados nesta reportagem são preliminares. O prazo para registro de candidaturas terminou neste sábado (15.ago), mas alguns cadastros sempre ficam travados e acabam sendo compilados nas bases da Justiça Eleitoral depois. Os números devem mudar nos próximos dias, mas as atualizações não serão suficientes para afetar as análises desta reportagem.
Quem enviou a candidatura ainda precisa ter seu nome aprovado. O TSE e os TREs verificam se cada um que enviou o registro cumpre as condições de elegibilidade e se não está enquadrado em alguma causa de inelegibilidade.
Os cadastros podem ser contestados e dar origem a recursos. Pelo calendário eleitoral, todos os registros devem estar julgados até 14 de setembro, 20 dias antes do 1º turno. Mas a discussão judicial pode se estender além disso.
EVOLUÇÃO DE MULHERES
A presença feminina nas candidaturas, agora em 34,8%, subiu 1 ponto percentual desde 2022. Em números absolutos, serão 7.138 mulheres e 13.363 homens.

EVOLUÇÃO POR COR DE PELE
O percentual de negros (pretos+pardos), agora em 49,9%, recuou 0,4 ponto percentual na comparação com 2022:

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