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Assista ao vídeo e leia o discurso de Lula no estádio 1º de Maio

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Assista ao vídeo e leia o discurso de Lula no estádio 1º de Maio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu início à campanha neste domingo (16.ago.2026), em um ato no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). O local, conhecido anteriormente como estádio da Vila Euclides, ficou marcado por ser palco da militância de Lula no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, enquanto sindicalista.

Aos 80 anos, Lula será candidato ao Planalto pela 8ª vez. Falou aos militantes durante o ato por 36 minutos. 

Assista ao discurso (36min51s): 

Leia a íntegra do discurso de Lula: 

Em 1979, aqui mesmo nesse estádio, eu sempre digo que eu nunca vou morrer de infarto causado pela emoção porque eu sou corintiano. E, como eu já sofri muito com o meu Corinthians, eu quero dizer que a emoção de hoje é uma emoção ímpar.

“É uma emoção que eu estou sentindo muito mais forte do que a que eu senti em 1979, aqui mesmo nesse estádio, quando a gente não tinha um palanque bonito como esse.

“Não sei se vocês perceberam aquela foto em que eu tô em cima da mesa. Aquilo é uma mesa de um bar que foi tomada emprestada porque a gente chegou aqui, tinha milhares de pessoas e não tinha nem palanque, nem microfone nem megafone.

“Eu tive que falar para vocês, e cada um ia repetindo o que eu falava até chegar no final. Eu não sei que mentira chegou no final. O dado concreto é que a greve foi um sucesso.

“E eu quero dizer para vocês que eu tô de chapéu. Primeiro porque eu gosto de chapéu, mas hoje é porque eu fiz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele e eu não posso tomar sol na cabeça.

“Mas eu quero dizer para vocês que eu vou ousar a minha saúde e vou tirar o chapéu para todos vocês. Aqui hoje estão as pessoas que eu gosto e certamente estão aqui as pessoas que gostam de mim.

“Mas toda vez que você participa de um evento importante, você sempre tem que lembrar das pessoas que te ajudaram a construir essa caminhada e que não estão mais aqui.

“Eu poderia lembrar 3 intelectuais em nome de todos os intelectuais que ajudaram a criar esse partido. Eu poderia citar o nosso querido companheiro Florestan Fernandes.

“Eu poderia lembrar do nosso companheiro Sérgio Buarque, pai do Chico Buarque de Holanda, que ajudou a gente. Queria lembrar do nosso querido companheiro Antônio Cândido, um dos grandes intelectuais que esse país produziu.

“E queria lembrar do meu companheiro Marco Aurélio Garcia, que andou comigo praticamente todo esse período até morrer. Quando a Dilma era presidenta, ele teve um infarto.

“Eu quero lembrar de pessoas como Chico Mendes, que morreu em 1978.

“Eu estava de férias e peguei um avião para ir ao enterro do Chico Mendes.

“Quero lembrar da Margarida Alves, uma mulher que foi assassinada em 1983 porque defendia os direitos dos trabalhadores rurais em Lagoa Grande, na Paraíba.

“Quero lembrar do Wilson Pinheiro de Souza, dirigente sindical rural na cidade de Brasileia, no Acre, que morreu assassinado por um fazendeiro.

“E, pela morte do Wilson Pinheiro, eu fui ao enterro à noite e eu disse uma frase em cima do caixão dele: ‘Eu tô cansado de chorar a morte em cima de cadáver de companheiros assassinados pelo latifundiário’.

“E disse: ‘Tá chegando a hora da onça beber água. A gente não quer mais chorar’.

“No dia seguinte, os trabalhadores mataram um fazendeiro que era o suspeito de ter matado o sindicalista. E eu fui condenado a 3 anos e meio de cadeia porque eles disseram que aquela frase minha era um incentivo para os trabalhadores matarem.

“Uma bobagem, uma mentira como tantas mentiras que contaram sobre mim nesses 47 anos de trajetória política e luta minha.

“Pois bem, eu quero dizer para vocês que aqui não tá uma pessoa que simboliza tudo que eu sou na vida, que é minha mãe.

“A minha mãe morreu em 1980. Eu estava preso por conta da greve de 41 dias e aqueles companheiros que vieram me abraçar do sindicato, todos estavam comigo.

“Eu estava preso. A minha mãe não sabia que eu tava preso porque a gente não queria contar para ela.

“O Dr. Tuma era o delegado-geral da Polícia Federal. Toda semana ele me liberava. Depois das 10h30 da noite, eu vinha na Pauliceia, em São Bernardo, visitar a minha mãe e voltava pra cadeia.

“E, quando ela morreu, ele permitiu que eu viesse ao enterro da minha mãe.

“Você veja a diferença: no tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir ao enterro da minha mãe.

“Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei, não permitiu que eu saísse da cadeia para vir ao enterro do meu irmão Vavá, numa demonstração de que os homens não são medidos por épocas, os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço.

“E eu devo então a minha vinda aqui hoje em agradecimento à Dona Lindu, que é responsável por tudo que eu sou na vida.

“Uma mulher que nasceu e morreu analfabeta. Uma mulher que veio de Pernambuco para encontrar com o marido em Santos.

“Quando chegou em Santos, o marido tava casado com outra. Ela não teve dúvida, largou dele e foi cuidar de oito filhos pequenos.

“O mais velho tá aqui, o meu irmão Frei Chico, que me levou pro sindicato.

“Tão tentando dar uma galeria lá em cima porque ele é chique. Ele tá logo lá num lugar confortável. Eu tô aqui tomando sol, Frei Chico.

“Isso é para você saber, meu caro, como eu trato você confortavelmente, porque você tá num camarote aqui no estádio da Vila Euclides e o Lula tá tomando sol aqui.

“Frei Chico, na próxima você vai vir para cá tomar sol também comigo.

“Então eu devo a minha vida a isso. E é por isso que eu queria dizer uma coisa: mulheres deste país, não baixem a cabeça nunca, porque nós homens precisamos aprender a respeitar vocês como companheiras, não como serviçais.

“Não como escravas, não como cidadãs de segunda categoria. Levante a cabeça porque Deus fez a gente igual.

“Não é possível que a gente não termine com essa violência.

“Então eu queria dizer para vocês mais uma coisa. Eu passei a noite inteira conversando com muita gente, preparando coisa para falar, porque é muita coisa para falar.

“São 47 anos de história que, se eu for contar aqui, nós só vamos terminar quando terminarem as eleições.

“Então eu não posso contar tudo, mas eu queria dizer uma coisa que é a mais absoluta verdade que eu tenho no coração: eu sou muito agradecido porque Deus sempre foi muito generoso comigo.

“Deus fez vocês e vocês fizeram o Lula ser o que ele é.

“Portanto, obrigado a vocês, trabalhadores e trabalhadoras desse país, que um dia tiveram consciência de apostar que um igual a vocês é capaz de fazer mais por vocês do que um diferente de vocês.

“Vocês apostaram que a inteligência não é pela quantidade de diploma que você tem. A quantidade de diplomas mostra o conhecimento que você tem, mas inteligência é saber utilizar esse conhecimento em benefício de quem e para quem.

“Portanto, muito obrigado a cada homem, a cada mulher de todo o estado do país, do Oiapoque ao Chuí, de Natal até o Acre.

“Muito obrigado a cada trabalhador que um dia de eleição teve a coragem de levantar e dizer: ‘Eu vou colocar na Presidência da República um peão’.

“Quase que analfabeto, porque eu só tenho diploma primário e um curso de SENAI.

“Mas tem uma coisa que os outros não têm: eu conheço o coração e a mente de vocês e eu tenho certeza de que os outros que passaram por esse país não conheceram.

“Eu preparei algumas coisas. Quero dizer, Janjinha, como Deus é justo.

“Eu, quando a Marisa morreu, eu pensei que era o fim da minha vida. Porque eu tinha vivido com a Marisa há 45 anos. Eu achei que o mundo tinha acabado.

“Mas, da mesma forma que Deus levou a Dona Marisa, Deus me trouxe você para ajudar a continuar nessa luta e continuar vencendo as batalhas que nós temos que vencer.

“Eu sou obrigado a agradecer a Deus todo dia porque, vindo de onde eu vim, não morrer de fome até os 5 anos de idade, de quem nasceu em Caetés e chegar a ser presidente da República três vezes, só pode ser o dedo de Deus e a compreensão de vocês.

“Por isso, muito obrigado outra vez.

“Mas, companheiros e companheiras, foi aqui, exatamente aqui. Nosso palanque era daquele lado, não tinha aquela arquibancada.

“Foi aqui que eu tive a mais importante lição de sociologia política que um homem tem: a greve de 1979.

“A greve tava durando há 15 dias e os empresários fizeram uma proposta que eu achei que era boa.

“Os empresários ofereceram pra gente 15% em três parcelas de cinco. Os empresários admitiram pagar os dias parados da greve, não descontar nas férias e pagar o fundo de garantia que antes descontavam de nós.

“Eu achei que a proposta era boa. Eu vim aqui para esse estádio. Eu tinha uma comissão de fábrica de 300 trabalhadores. Mandei a comissão de fábrica vir primeiro para cá.

“Vários daqueles companheiros que me abraçaram estavam aqui.

“Eu mandei eles virem para sondarem com os trabalhadores se os trabalhadores iam ou não aceitar a proposta.

“E, quando eu cheguei, todo mundo falou: ‘Ô Lula, a pesada não vai aceitar o acordo. A pesada tá radicalizada, não vai aceitar o acordo porque a gente preparou os trabalhadores para uma guerra’.

“Aí nós chegamos aqui, cada um que ia falar era vaiado. Cada um que ia falar era vaiado.

“Quando eu fui falar, tinha mais gente do que tem hoje aqui, porque não tinha esse palco, tava tudo lotado de gente.

“Eu fiquei pensando: se eu colocar o acordo em votação, eu vou perder. E eu não posso perder porque um líder não pode perder uma votação, ele tem que ter capacidade de persuasão.

“Então, ao invés de colocar o acordo em votação, eu propus um voto de confiança em mim.

“Eu disse pros trabalhadores: ‘quem confiar em mim, eu queria que você levantasse a mão, a gente vai voltar a trabalhar, eu vou continuar negociando’.

“Todo mundo levantou a mão, todo mundo.

“Repito esse gesto para o Stuckert tirar uma fotografia bonita. Levante a mão!

“Pois bem. A coisa mais engraçada que eu aprendi na vida: o que que é a relação de confiança.

“Os trabalhadores, por unanimidade, aprovaram a minha proposta de voltar a trabalhar e eu continuar negociando.

“Mas todos os trabalhadores saíram daqui putos da vida comigo, achando que eu tinha traído eles. Todos, sem distinção, todos.

“Nós passamos um ano para recuperar a confiança dos trabalhadores. Um ano inteiro.

“Eu ia na porta da fábrica fazer discurso, os trabalhadores não paravam para ouvir a gente.

“Eu comecei a fazer piquete na porta de fábrica para eles pararem para ouvir a gente outra vez.

“Em fevereiro do ano seguinte, a gente reconquistou a confiança dos trabalhadores e fizemos a famosa greve de 41 dias.

“Os trabalhadores diziam assim para mim: ‘Nós aguentamos 4 meses, nós aguentamos 3 meses, nós aguentamos um ano de greve’.

“Eu falava: ‘Vocês não aguentam, vocês não aguentam porque, se a gente for verdadeiro, a gente sabe o que acontece dentro de uma casa’.

“‘Vai chegando no fim do mês, tem que pagar a conta de luz, tem que pagar o leite, tem que pagar o pão, tem que pagar o aluguel’.

“E a mulher começa a cobrar do marido: ‘cadê o leite? Cadê o pão? Cadê o aluguel?’. E você começa a voltar a trabalhar.

“Eu sabia que era assim, mas, como o pessoal dizia que aguentava até a morte, eu falei: ‘Então vocês vão aguentar’.

“Dia 17 de abril me prenderam. Eu fiquei 31 dias na cadeia e a greve começou a acabar porque os empresários começaram a mandar carta pro trabalhador dizendo que ia mandar embora por justa causa, por abandono de emprego.

“Aí os trabalhadores começaram a voltar.

“O que aconteceu? Veja a lição. Aconteceu o milagre.

“O pessoal perdeu tudo, porque na greve de 80 a gente não ganhou nada, nada, nada.

“Teve mais de 15 mil demissões na categoria e eu virei herói. Eu virei herói.

“Eu, que tinha pensado que seria herói em 79, fui tratado como se eu fosse covarde. Em 80, que eu achei que eu ia ser massacrado, eu fiquei herói.

“Sabe por quê? Porque os trabalhadores descobriram que eu tava certo em 1979 e que eles estavam errados.

“E eles aprenderam a lição em 1980.

“E eu quero agradecer a vocês outra vez porque vocês fizeram o bem de voltar a trabalhar porque vocês tinham que cuidar da família de vocês.

“Isso foi a mais importante lição política que eu tive na minha vida.

“Por isso eu tô muito agradecido a vocês e a lembrança desse estádio para mim é uma coisa maravilhosa.

“Mais do que maravilhosa, para mim é inesquecível o que eu vivi aqui.

“Mas nós estamos aqui também a partir das lutas que a gente pensou em fundar um partido.

“Eu era contra fundar partido. Eu era contra partido.

“Depois das greves de 78, eu dizia que eu não gostava de político e odiava quem gostava de política.

“Eu pensava que eu era esperto. No fundo, no fundo, eu era imbecil.

“Porque sabe qual é o defeito de quem não gosta de política? É que o país é governado por quem gosta.

“E, se quem gosta são esses que estão eleitos, nós estamos ferrados.

“Então é preciso a gente gostar da política, a gente fazer política pra gente aprender a escolher corretamente quem é que vai ser vereador, quem é que vai ser deputado, quem é que vai ser prefeito.

“Porque senão a gente passa o ano inteiro brigando contra os patrões e chega na época das eleições a gente escolhe um patrão para prefeito, para governador, para ser presidente da República, para ser senador, para ser deputado federal.

“É uma contradição.

“É como se você pegasse uma raposa que tava relinchando para você e colocasse essa raposa dentro de um galinheiro achando que a raposa ia cuidar das galinhas.

“No dia seguinte, quando você via suas galinhas, tinham virado o quê? Comida da raposa.

“Essa descoberta política eu tive aqui neste estádio.

“Eu lembro que, quando eu criei o partido, vi o pessoal da esquerda, estudante… o José Dirceu, o Genoino… o Haddadinho não veio não, e falavam assim para mim: ‘Ô Lula, o PT é tático ou estratégico?’.

“Eu nem sabia o que era tático e o que era estratégico.

“Eu só sabia que eu queria um partido. Eu quero um partido dos trabalhadores pra gente eleger deputado, eleger vereador, eleger prefeito pra gente começar a fazer as coisas que a gente ganha.

“E aí eu quero dizer para vocês o esforço que eu faço todo santo dia para não falhar com vocês.

“Eu posso mentir para qualquer pessoa no mundo. Eu posso mentir para qualquer presidente do mundo.

“Mas eu não tenho o direito de mentir para aqueles que confiam em mim, para aqueles que gostam de mim.

“Então vocês podem ter certeza da minha lealdade com vocês e é por isso que eu tenho muito orgulho de estar aqui 47 anos depois, com o mesmo tom de voz, talvez um pouco mais rouco, talvez sem a eloquência da voz que eu tinha.

“Mas estou aqui para dizer para vocês: eu sou o primeiro presidente da República eleito três vezes, não tem na história desse país.

“E tem muita gente que fala: por que que o Lula quer um novo mandato?

“Eu quero dizer para vocês o seguinte: eu, enquanto for vivo, não vou permitir parar de lutar.

“Não vou permitir deixar que a direita — uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio, de uma direita que é responsável pela morte de 400 mil pessoas da Covid por irresponsabilidade de não comprar a vacina — assuma.

“Que futuro essas pessoas pensam pro povo brasileiro se viam gente asfixiada por falta de ar?

“Que futuro você quer pro povo brasileiro se você não investir em educação? Na saúde? Em casa? No emprego?

“Enquanto eles criaram no mandato deles 2 milhões de empregos, nós criamos 10 milhões e 100 mil empregos formais nesses últimos 3 anos e meio.

“Isso é pensar no futuro.

“Quando eu resolvi fazer o programa Luz para Todos, eu tava pensando no futuro do povo brasileiro.

“Porque quem vive a luz de vela ou de candeeiro, como eu vivi, sabe que o futuro é levar a energia na casa da pessoa.

“As pessoas precisam saber: nós levamos pro futuro 17 milhões de pessoas que viviam no século XVIII, na escuridão, nas trevas.

“E nós levamos luz elétrica para a casa das pessoas, para as crianças aprenderem a comer enxergando, enxergando a casa dos seus irmãos, enxergando o que estava mastigando.

“Quando eu resolvi fazer a transposição do Rio São Francisco, eu tava pensando no futuro de um povo que durante 350 anos morria de sede.

“Vinha embora pro sul porque via sua galinha morrer, sua cabra morrer, sua vaquinha morrer.

“E muita gente era obrigada a vir para cá, como eu vim no pau de arara, para não morrer de fome e de sede.

“Pois bem, quando nós pensamos em fazer a transposição, eu tava tentando realizar um sonho do Imperador Dom Pedro II, que pensou em fazer a transposição em 1846 e não deixaram ele fazer.

“E eu falei: ‘é um pernambucano de Garanhuns que vai fazer a obra que o Imperador não conseguiu fazer’.

“É um filho do Nordeste que sabe o que é pegar água no açude misturada com fezes de animal, com caramujo, com urina de animal.

“É esse nordestino que sabe qual é o valor de levar água para 12 milhões de pessoas.

“E, se Deus quiser, agora este ano eu vou inaugurar, na verdade, a última gota d’água que nós vamos levar pra cidade de Fortaleza, para nunca mais o Nordeste chorar atrás de um pingo d’água.

“Isso é pensar no futuro.

“Eu fico pensando: essa gente pensa no futuro?

“Eu vou contar para vocês: o Brasil tem 300 e poucas faculdades espalhadas pelo país inteiro. Em 500 anos, eles fizeram 136 ou 170.

“Eu e a Dilma, em apenas 16 anos, fizemos 200.

“Em 16 anos, nós fizemos mais do que eles fizeram em 500 anos de universidade nesse país.

“Isso é pensar no futuro porque o futuro significa investir em educação.

“O futuro significa formar o nosso jovem.

“E é por isso que eu tô pensando muito. Se preparem, porque vai ter mais.

“O Haddad não vai ser mais ministro da Educação porque vai ser governador de São Paulo.

“Então nós vamos ter um novo ministro da Educação.

“Fique tranquilo que eu não vou tirar você não, você é um bom ministro (referindo-se ao atual).

“Só tô falando bem do Haddad porque o Haddad foi o melhor ministro da Educação que esse país já teve.

“Então, companheiros, num quarto mandato eu quero acabar com alguns dilemas desse país.

“Um deles é a formação do nosso povo.

“Eu quero meninas e meninos desse país bem formados, bem estruturados, não apenas para o mercado de trabalho.

“Vou dar um número, Haddad, que você sabe.

“Quando eu assumi a Presidência em 2003, tinha apenas 5 milhões de brasileiros no mercado de trabalho com diploma universitário.

“Hoje tem 25 milhões.

“Isso é pensar no futuro.

“O primeiro Instituto Federal foi feito no Brasil em 1909, pelo presidente Nilo Peçanha.

“Em 100 anos, eles fizeram 140. Eu e a Dilma fizemos 606 em apenas 16 anos.

“E vamos terminar o mandato com 800 institutos para dizer para vocês que isso é pensar no futuro.

“Eu fui aqui na Universidade Federal de São Bernardo e vi meninas e meninos, filhos de metalúrgicos, estudando engenharia espacial.

“Perguntei quanto custa uma menina por ano aqui nessa universidade. O reitor falou: ‘R$ 20.000’.

“Sabe quanto custa um preso na cadeia aqui em São Paulo? R$ 35.000. E o menino na universidade custa 20.

“Qual é a lição que eu posso dar para esses que não pensaram no futuro, seus ignorantes?

“É que investir em educação é muito mais barato do que investir na cadeia para prender essas pessoas.

“Então nós temos que evitar que virem bandidos, dando oportunidade quando são crianças e adolescentes para que a gente possa criar um país mais civilizado.

“Quando eu era presidente e o Márcio Thomaz Bastos era ministro da Justiça, nós queimamos e recolhemos quase 500 mil armas do povo.

“Sabe o que eles fizeram? Eles venderam mais de 1 milhão de armas e 1 bilhão de balas.

“Essa gente fala em segurança.

“Quem é que ficou com esse 1 bilhão de balas? Foi o dono de casa ou foi o crime organizado que, travestido de boa vontade, foi comprar revólver, pistola e fuzil para continuar matando gente?

“Enquanto eles pegaram no mandato deles 1 bilhão de reais do crime organizado, nós pegamos, Haddad, 35 bilhões de reais do crime organizado, porque é pegando o dinheiro deles que a gente vai acabar com a indústria do crime sofisticada.

“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda tá no apartamento de cobertura, tá morando no condomínio.

“E nós vamos trabalhar duro se for aprovada a PEC da Segurança Pública que foi mandada para a comissão ontem.

“Se for aprovada, eu vou criar o Ministério da Segurança Pública para dividir responsabilidade com estados e municípios.

“Para a gente libertar o povo das vilas mais pobres em que tem quadrilha que manda na vila, que aporrinha a vida do povo.

“E nós vamos libertar o povo prendendo todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de bairro pobre.

“Mas, para isso, primeiro eu tenho que mudar a Constituição.

“Mas não é só isso, gente.

“Pensar no futuro deste país é pensar em escola de tempo integral, para facilitar não apenas a vida do estudante, mas a vida da mãe e do pai, que podem trabalhar sabendo que o seu filho está estudando, aprendendo arte, dança, música, coisas importantes, sobretudo na questão ambiental e no tratamento respeitoso à mulher.

“Ele tem que aprender desde criança que o homem não é melhor do que a mulher, que somos iguais.

“Pois bem, pensar em futuro é pensar como é que a gente vai explorar a riqueza que hoje é chamada de terras raras e minerais críticos, que é o que está fazendo a disputa entre China e Estados Unidos.

“A gente não tem opção pela China nem opção pelos Estados Unidos.

“O que nós queremos é colocar nossas meninas e os nossos meninos para estudarem como é que a gente vai explorar esse minério, como é que a gente vai transformá-lo, como é que a gente vai produzir os celulares, os chips, as baterias elétricas.

“A gente não quer exportar o mineral bruto para depois comprar as coisas prontas deles.

“Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza.

“Porque nenhum país vai explorar os nossos minerais. Nós é que vamos explorar em benefício do povo brasileiro.

“Este país está devendo a si mesmo se transformar numa grande nação e nós vamos fazer isso.

“Por isso eu coloquei o Alckmin como ministro da Indústria e Comércio para criar a Nova Indústria Brasil, que teve investimento de quase R$ 800 bilhões para a gente industrializar.

“Fazia anos que a indústria brasileira não crescia e nós crescemos 3,4%.

“Portanto, companheiros, se eu for continuar falando tudo que eu escrevi aqui, não vai terminar.

“E eu vou terminar a minha fala porque eu tô com dó de vocês no sol desde a hora que vocês chegaram.

“Eu queria terminar dizendo que, dentro de 10 ou 15 dias, eu e o Alckmin vamos apresentar a nossa proposta de governo para o próximo mandato.

“Vamos fazer um negócio bem qualificado.

“E eu quero que vocês prestem atenção no que nós vamos apresentar porque eu também quero que cada militante nosso ande com a comparação entre o que nós fizemos e o que os outros fizeram.

“Vocês têm que estar preparados.

“Vou dizer algumas coisas para vocês saberem: quantos estudantes que estavam desistindo do ensino médio nós demos uma bolsa para eles não saírem da escola?

“7 milhões e 200 mil meninos estão estudando porque não permitimos que saíssem.

“Fizemos o imposto de renda não ser descontado para quem ganha até R$ 5.000.

“Criamos 174 mil indústrias apoiadas com crédito.

“O novo PAC gastou R$ 1 trilhão e 700 milhões.

“Vejam a diferença: a inflação deles foi 6,2, a nossa 4,5.

“A taxa de desemprego deles foi 8%, a nossa 5,4%.

“O aumento do emprego no mandato deles foi 6 milhões, o nosso foi 10 milhões.

“O crescimento econômico deles foi 1,4%, o nosso foi 3%.

“A situação fiscal: eles tiveram um prejuízo fiscal de 2,8% e nós chegamos a 0,5%.

“Então eu quero que vocês tenham números para comparar.

“Quem assentou mais terras indígenas? Quem assentou mais trabalhador rural? Quem gerou mais emprego? Quem deu mais aumento de salário?

“Para que a gente possa dizer para eles: ‘Criem vergonha na cara, parem de mentir, porque o povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade’.

“Por isso, meus companheiros e companheiras, a Janja falou para mim: ‘Meu amor, quando você estiver falando e perceber que as pessoas estão levantando e está ficando um clarão no meio, o povo está avisando: para de falar que eu quero almoçar’.

“E eu sei que vocês estão com fome e eu ainda vou almoçar em Brasília.

“Gente, não se esqueçam de votar no Haddad para governador.

“Não se esqueçam que temos dois votos pro Senado.

“Quem votar em Marina, vota na Simone. Quem votar na Simone, vota na Marina.

“Quem votar na Simone, na Marina e no Haddad, vota no Lulinha para presidente da República.

“E quem votar no Haddad, no Lula, na Simone, na Marina, vota nos deputados federais e nas deputadas federais do nosso time, porque a gente precisa ganhar as eleições e eleger maioria no Congresso Nacional para que a gente possa fazer tudo o que tem que fazer nesse país.

“Companheiros e companheiras, um abraço no coração.

“Que Deus abençoe cada um de vocês.

“E até a vitória no dia 4 de outubro, se Deus quiser!

“Um abraço, gente.

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