O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer fazer do ato deste domingo (16.ago.2026), em São Bernardo do Campo (SP), o maior evento da campanha presidencial deste ano. O PT espera reunir pelo menos 20.000 pessoas no Estádio Municipal 1º de Maio, a antiga Vila Euclides, e organizou caravanas de diferentes regiões do país para levar militantes ao local.
O ato também busca reaproximar e testar o PT nas ruas. Lula tem reforçado a necessidade de mobilizar a militância. O partido quer resgatar a trajetória do presidente como líder e emular a imagem de Lula discursando sobre milhares de trabalhadores –símbolo de sua ligação com a mobilização popular.
Entre os destaques estão o lançamento de um novo jingle oficial e a apresentação do slogan que guiará a campanha: “O Brasil pronto pra mais”.
A primeira-dama Janja da Silva deve discursar. A participação de mulheres é uma preocupação da organização depois da convenção nacional do PT, em 2 de agosto. Na ocasião, Janja foi a única mulher a falar no palco –de improviso, porque não havia mulheres na lista de discursos.
Além dos petistas, todos os ministros da Esplanada foram chamados. Lula também convidou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O estádio será ocupado no domingo tanto nas arquibancadas quanto no gramado. A capacidade estimada é de cerca de 25.000 pessoas, considerando os 2 espaços.
O partido organiza ônibus, vans e carros particulares. Em São Paulo, a direção estadual articula a saída de centenas de ônibus de diferentes regiões. Só as 7 cidades do ABC devem enviar cerca de 150 veículos. Também estão sendo organizadas caravanas no Rio de Janeiro e no Paraná, com grupos saindo da capital e do interior fluminense, além de Londrina, Maringá e da região metropolitana de Curitiba.
A organização também discute a estrutura do palco. Uma das possibilidades avaliadas é o uso de teleprompter para os discursos, mas ainda não há definição sobre a instalação do equipamento.
REAPROXIMAÇÃO COM AS RUAS
A escolha da Vila Euclides também responde a uma preocupação do PT de reaproximar o partido das ruas. A esquerda vinha tendo dificuldade para repetir a capacidade de mobilização que marcou sua trajetória. Em setembro de 2025, porém, conseguiu fazer seu maior ato em anos, com manifestações organizadas contra contra o PL da Anistia e à PEC da Blindagem. O ato de domingo será um novo teste dessa capacidade, agora com Lula no centro da mobilização.
O movimento ganha peso porque o presidente chega à campanha aos 80 anos e busca o 4º mandato, possivelmente seu último. O petista já começou a tratar publicamente da sucessão. Em 2 de agosto, durante a convenção nacional do PT, o presidente já falou sobre quem poderia disputar a Presidência em 2030.

A IMAGEM QUE LULA QUER RECUPERAR
A fotografia foi registrada em 1979, durante uma das grandes assembleias das greves do ABC. Sem palco ou sistema de som, Lula subiu em uma mesa de escritório e usou um megafone para falar com os trabalhadores. O local reunia cerca de 60.000 pessoas.
Em outra assembleia, 80.000 metalúrgicos participaram da decisão sobre a continuidade da greve. No 1º de Maio daquele ano, cerca de 150 mil pessoas estiveram no estádio.

As greves de 1978 a 1980 deram projeção nacional a Lula e ajudaram a consolidar o novo sindicalismo. O movimento também contribuiu para a formação do PT e para a reorganização da oposição à ditadura.
Lula havia entrado no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1968. Tornou-se 1º secretário em 1972 e presidente da entidade em 1975.
Em 1980, durante a repressão às greves, ficou preso por 31 dias no Dops paulista.
É essa trajetória que o PT pretende recuperar ao iniciar a campanha no mesmo estádio.


