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Plano de Flávio não menciona Petrobras, e Lula cita estatal 11 vezes

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O plano de 75 páginas com diretrizes de governo divulgado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não faz nenhuma menção à Petrobras, enquanto o programa apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca seu 4º mandato, faz 11 menções à estatal, posicionando a empresa no centro da política energética brasileira. 

Ao registrar sua candidatura no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na 5ª feira (13.ago.2026), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou pela 1ª vez as suas visões para o setor de óleo e gás do país. Defendeu a ampliação da exploração do gás no pré-sal e a modernização do refino de petróleo, mas sem citar a empresa que domina grande parte dessas operações e da produção e exploração de combustíveis no Brasil. Leia a íntegra do plano (PDF – 1,9 MB).

Embora não haja menção a uma proposta de privatização da estatal, o documento diz que “o papel do Estado não é ser o empresário, é ser o país que funciona”. Flávio também promete retomar o Programa Nacional de Desestatização, “avaliando caso a caso onde a presença do Estado deixou de fazer sentido”.

Em 2019, durante o mandato de Jair Bolsonaro, o governo federal privatizou a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras voltada para a venda e a entrega de combustíveis, lubrificantes e outros derivados de petróleo. O movimento foi criticado diversas vezes por Lula e aliados durante o 3º mandato do petista.

FLÁVIO FOCA NO GÁS

Em seu programa, Flávio reivindica para o governo do seu pai a aprovação da Nova Lei do Gás, em 2021, e diz querer “dar continuidade a esse caminho”

O plano fala na expansão da rede de escoamento e transporte de gás conforme a demanda, para integrar a malha a Estados atualmente desconectados. Para isso, o senador cita a necessidade de “segurança jurídica e regras estáveis que atraiam o investimento privado”. Atualmente, a Petrobras domina cerca de 80% da infraestrutura de escoamento e processamento de gás no país. 

No 1º parágrafo da parte de energia do seu plano, o senador defende a prática do fracking para exploração do gás não convencional. A técnica consiste em perfurar o solo para extrair gás natural e petróleo presos em rochas profundas. 

A injeção pode resultar na destruição de parte do solo e do habitat de animais, além da possível contaminação dos lençóis freáticos por produtos químicos. A prática é alvo de questionamentos ambientais e judiciais e ainda não é utilizada comercialmente no Brasil, embora já tenha sido defendida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

LULA PÕE PETROBRAS COMO PROTAGONISTA

Diferentemente do seu principal adversário, o presidente fala da estatal 11 vezes na parte do seu programa dedicada à energia. O plano afirma que Lula 3 retomou investimentos em óleo e gás e destaca que a Petrobras tem batido sucessivos recordes de produção de petróleo e voltou a investir em refino, gás e fertilizantes. Leia a íntegra do documento (1,2 MB).

O programa projeta que a Petrobras “continuará ampliando investimentos em exploração onshore e offshore” para recuperar participação no controle de reservas nacionais, e deverá expandir investimentos em revitalização de campos maduros. 

Também determina que a empresa deverá retornar ao segmento de distribuição de combustíveis, expandindo sua capacidade de refino e ampliando a atuação da Transpetro para logística de GNL, além de defender a atuação da estatal na transição energética e nos biocombustíveis.

Lula diz ainda que a “nova política de preços” da Petrobras, combinada com as subvenções do governo aos combustíveis, contribuiu para diminuir a volatilidade dos preços do diesel, da gasolina e do GLP e reduzir os impactos da guerra do Oriente Médio no mercado nacional.

Ao mencionar o gás natural, o plano de Lula limitou-se a dizer que a infraestrutura de gasodutos continuará sendo expandida e integrada para ampliar a oferta, interiorizar as malhas de transporte e distribuição e fortalecer a integração gasífera sul-americana.

O programa defende ainda o papel do gás para assegurar a flexibilidade do sistema elétrico e a competitividade da economia brasileira.

Embora tenha citado o Gás do Povo, o plano petista não faz menções a outras políticas para o produto lançadas durante o Lula 3, como o Gás para Empregar, a aprovação dos primeiros leilões de Gás da União e o avanço do Gas Release na ANP. 

Fertilizantes

Os planos de governo de Flávio e Lula convergem quanto ao desenvolvimento da indústria nacional de fertilizantes para reduzir a dependência externa desses insumos.

Enquanto o senador fala em focar na produção a partir de gás natural e aproveitamento das reservas de minerais como potássio e fosfato, o petista destaca a retomada recente da produção de fertilizantes em 3 plantas da Petrobras.

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