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Dino retira sigilo de investigações contra Weverton e governo do MA

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tornou públicas nesta 6ª feira (14.ago.2026) as decisões em que autorizou medidas de investigação da Polícia Federal contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim.

A Polícia Federal investiga possível atuação do congressista para intervenção em processo no STJ (Superior Tribunal de Justiça) que tem relação com o conselheiro do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão) Daniel Brandão. 

O caso foi levado ao Supremo depois que Gilbson Cutrim, condenado pelo assassinato de João Bosco em 2022 –crime conhecido como “caso Tech Office”–, afirmou que havia indícios da interferência do senador na progressão do seu regime para o semi-aberto.

Depois de uma série de recursos, a execução penal de Gilbson ficou sob a relatoria do ministro Humberto Martins, do STJ. 

As informações da PF indicam que oWeverton se comunicava de forma regular com o relator do caso. A PF considerou que o conteúdo acessado no celular do senador, que também é alvo das investigações por fraudes no INSS, demonstrou diálogos sobre encontros pessoais e processos sob a relatoria do ministro. 

“Inicialmente, evidenciou-se a existência de uma relação de proximidade pessoal entre os interlocutores, que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional”, afirmou o relatório da PF enviado ao gabinete de Flávio Dino.

A polícia afirma que há indícios de que o senador tenha influenciado para facilitar a progressão da pena de Gilbson para o semiaberto. Em junho de 2025, o ministro transferiu Gilbson da Penitenciária de Pedrinhas (MA) para o presídio em Brasília.

Segundo a PF, houve uma “inércia na apreciação dos pedidos urgentes” sobre o caso de Gilbson pelo ministro, o que pode indicar “sucesso da possível ingerência do senador”. Os investigadores afirmam que o caso tinha o interesse de Weverton Rocha, uma vez que havia informações de que, durante o assassinato em 2022, Gilbson estava acompanhado de Daniel Brandão, atual conselheiro do TCE e sobrinho do governador Carlos Brandão.

“De forma simples, a informação de que DANIEL estava junto com GILBSON (o autor do delito), JOÃO BOSCO (a vítima) e BETO CASTRO (a outra testemunha) no local do crime levaria ao inevitável questionamento acerca da razão da presença de todos esses personagens, juntos, no mesmo local, bem como de sua ligação com os motivos que ensejaram a prática do crime de homicídio”, declarou a PF.

A PF indica que o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim pagou R$ 160.000 para a família de Gilbson, o que demonstraria uma tentativa de coibir eventual delação contra o conselheiro do TCE. O relatório enviado ao ministro Flávio Dino afirma que o ex-secretário estaria agindo para obstruir as investigações.

Raimundo Cutrim está em prisão domiciliar sob determinação de Dino. O ex-secretário também é investigado por tentar “perseguir” o ministro do Supremo. 

Os investigadores também apuram a participação de um agente da Polícia Federal utilizou informações sigilosas para tentar influenciar a família de Gilbson. Segundo a PF, mesmo sem estar nas apurações, o agente usou o cargo para tentar “demover o investigado preso de sua postura colaborativa” e omitir informações.

As apurações sugerem que o financiamento do esquema se deu a partir do desvio de emendas parlamentares do ex-deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que já foi condenado pela 1ª Turma do STF por irregularidades nos repasses. 

Nesta 6ª feira (14.ago.2026), Dino tornou pública as decisões que autorizaram as medidas da PF: 

  • 3.jun.2026 – medidas contra agente investigado por vazar informações. Eis a íntegra (PDF – 231 kB);
  • 14.jul.2026 – prisão domiciliar de Raimundo Cutrim. Eis a íntegra (PDF – 400 kB); 
  • 1.ago.2026 – irregularidades nas emendas parlamentares. Eis a íntegra (PDF – 1,1 MB). 

OUTRO LADO

Ao Poder360, a defesa de Raimundo Cutrim afirmou que não teve acesso integral à representação da Polícia Federal. Leia a íntegra da nota da defesa (PDF – 111 kB).

O gabinete do ministro Humberto Martins afirmou que “não irá se manifestar sobre a matéria por se tratar de investigação em segredo de justiça”. A equipe do ministro destacou que “os autos do habeas corpus foram encaminhados ao ministro Flávio Dino, relator do caso no STF”, em referência ao processo de Gilbson para a progressão do regime da pena.

Este jornal digital também procurou as defesas do senador Weverton Rocha e do ex-deputado Maranhãozinho para pedir uma manifestação. Até o momento não houve resposta. Este texto será atualizado caso a posição dos investigados. 

O Poder360 pediu uma manifestação do TCE-MA e do governo do Maranhão para pedir uma manifestação. Também não houve resposta.

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