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Governo Lula articula rede contra violência com Paraguai e Argentina

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Governo Lula articula rede contra violência com Paraguai e Argentina

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula com Paraguai e Argentina uma rede de proteção a mulheres na região da Tríplice Fronteira. Segundo ela, a iniciativa inclui a criação da primeira Casa da Mulher Brasileira de Fronteira, em Foz do Iguaçu (PR), e a realização de um seminário com países do Mercosul.

Em entrevista ao Poder360, nesta 5ª feira (6.ago.2026), Lopes disse que a ação busca ampliar o modelo do Pacto Brasil contra o Feminicídio para além do território nacional. “Nós já estamos articulando também um seminário com o Mercosul e que geralmente a gente acaba ampliando e convidando outros países”, disse a ministra.

A iniciativa não parte do zero. A região da Tríplice Fronteira já conta com serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência, mas o governo pretende ampliar a integração entre os países e criar a primeira Casa da Mulher Brasileira em uma área de fronteira internacional. 

A unidade será construída em Foz do Iguaçu (PR), com apoio da Itaipu Binacional. A estrutura seguirá o modelo das unidades que reúnem serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência.

‘“Eu estou indo 2ª feira lá para Foz do Iguaçu porque a Itaipu Binacional está construindo a primeira Casa da Mulher Brasileira de Fronteira”, disse a ministra.

Lopes afirmou que a Tríplice Fonteira foi escolhida como ponto inicial da cooperação por envolver 3 países e concentrar desafios comuns relacionados à violência contra mulheres: “Nós estamos caminhando para que a gente faça não só com esses 3 países, mas ampliando a participação dos países.”

A ministra também citou a atuação da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), localizada em Foz do Iguaçu, no desenvolvimento de pesquisas sobre o tema.

Assista (41min35s):

A articulação é feita em um momento de divergências diplomáticas na região. Lula e Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) trocaram críticas, com o argentino afirmando que o Brasil sofreu com um “socialismo do século 21”. Ele também disse que havia no Brasil um “risco Lula” .

Com o Paraguai, o governo teve um atrito depois que Lula comentou a Guerra do Paraguai. O presidente afirmou que o Paraguai havia invadido o Brasil e o Uruguai, em referência ao conflito que durou de 1864 a 1870. O país apresentou uma nota de repúdio ao Brasil.

Pacto Contra o Feminicídio

O Pacto Brasil contra o Feminicídio completou 100 dias em agosto de 2026. A iniciativa que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário sob liderança do presidente Lula. Segundo Lopes, o pacto já resultou em mais de 22.000 prisões de agressores, das quais 82% em flagrante, além da distribuição de mais de 30.000 tornozeleiras eletrônicas pelo país.

A ministra afirmou que o prazo médio para concessão de medidas protetivas caiu de 15 para 3 dias em alguns Estados, como a Bahia. Ela disse ainda que o governo prepara um levantamento sobre quantos municípios já aderiram ao pacto, hoje mais de 5.500 no total.

Segundo a ministra, a expansão internacional do pacto ainda está em fase de articulação e deve envolver outros países além de Paraguai e Argentina.

Lopes afirmou que o governo tem buscado integrar serviços de diferentes áreas para acelerar respostas aos casos de violência. “Quando existe essa unidade na rede de serviços, por exemplo, tem CRAS, tem CREAS, tem centros de referência, tem unidade básica de saúde, tem a escola, aí tem a Patrulha Maria da Penha, tem as medidas protetivas, tem a Defensoria Pública, o Ministério Público”, afirmou.

Aborto legal

A ministra também criticou a resolução aprovada pelo Senado que susta uma norma do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que regulamentava e garantia o acesso de crianças e adolescentes menores de 14 anos ao aborto legal em vítimas de estupro. Segundo ela, a Corte Interamericana de Direitos Humanos já notificou o Brasil sobre o caso.

Representatividade feminina

Questionada sobre a baixa presença de mulheres nas disputas presidenciáveis de 2026, Márcia Lopes disse que o cenário revela uma contradição: mulheres ocupam cada vez mais espaços de poder na sociedade, mas ainda enfrentam resistência para chegar a cargos eletivos. Ela pediu que o eleitorado feminino, maioria no país, vote de forma consciente e rejeite candidatos com discurso misógino.


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