O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta 4ª feira (5.ago.2026) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice na chapa para a disputa ao Planalto. O anúncio foi realizado na sede do partido, em Brasília, às 11h.
A escolha foi feita depois de meses de negociações e impasses internos. A intenção inicial de Flávio era indicar uma mulher para reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques estava entre as opções. O Republicanos, partido de Daniella, decidiu manter-se neutro no pleito. PP e União Brasil tomaram a mesma decisão, o que reduziu as opções do senador.
QUEM É ALFREDO GASPAR
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, 55 anos, nasceu em Maceió (AL). É deputado federal em 1º mandato. Tem como principal pauta de atuação o combate ao crime organizado e à corrupção.
Um dia antes de ter o nome anunciado como vice de Flávio, ele havia confirmado sua candidatura ao Senado por Alagoas.
Atuou como promotor de Justiça em Alagoas por 24 anos. Coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas e presidiu o Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado. Foi duas vezes procurador-geral de Justiça de Alagoas.
EX-ALIADO DOS CALHEIROS
Em 2020, Gaspar filiou-se ao MDB para disputar a Prefeitura de Maceió com apoio da família Calheiros (Renan Calheiros e Renan Filho). Foi derrotado no 2º turno por João Henrique Caldas, o JHC.
Foi secretário de Segurança Pública de Alagoas nas gestões de Renan Filho, de março de 2016 a janeiro de 2021 e de março a maio de 2022. Rompeu com o grupo político dos Calheiros em 2022.
Com a aproximação da família Calheiros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022, Gaspar alinhou-se ao eleitorado conservador ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Deixou o governo estadual e o MDB. Migrou para o União Brasil e, posteriormente, para o PL. Aproximou-se, ainda, do grupo político de Arthur Lira (PP-AL).
DEPUTADO E RELATOR DA CPMI
Em 2022, foi eleito deputado federal. Na Câmara dos Deputados, integra a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.
Em agosto de 2025, assumiu a relatoria da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS. A atuação no colegiado foi destacada por Flávio Bolsonaro ao anunciá-lo. O senador citou apurações envolvendo o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva.
A comissão foi marcada por discussões entre os congressistas. Gaspar e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) trocaram críticas em sessão. Gaspar referiu-se ao petista como “Lindinho“. Fora do microfone, Lindbergh chamou o relator de “estuprador“. Gaspar respondeu chamando o deputado de “ladrão” e “corrupto“, além de dizer que ele consumiu drogas ilícitas antes da sessão.
O episódio gerou queixas-crime no Supremo Tribunal Federal. Gaspar acionou a Corte contra Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) por declarações feitas depois da sessão de 27 de março de 2025. Em outra ação, Lindbergh disse que Gaspar cometeu calúnia, difamação e injúria por declarações feitas em entrevista a jornalistas na Câmara dos Deputados e reproduzidas nas redes sociais.
O ministro Gilmar Mendes considerou que os pedidos cumpriam os requisitos para tramitação na Corte. As queixas não se converteram em condenação judicial ou perda de mandato para nenhum dos envolvidos.
RELATÓRIO DA CPMI
O parecer apresentado por Gaspar tinha mais de 4.300 páginas e detalhava suspeitas de fraudes em empréstimos consignados e descontos associativos a aposentados. O texto foi rejeitado por 19 votos a 12. A base governista afirmou que o relatório teve uso político. Congressistas da oposição defenderam o documento.
Sem prorrogação aprovada, a CPMI encerrou os trabalhos sem um relatório final oficial. O presidente do colegiado e congressistas da base enviaram cópias do texto de Gaspar e do parecer paralelo ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao STF.
