Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, deixou a equipe da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada 2 dias depois de o Poder360 revelar que o ex-chefe de Gabinete de Lula recebeu pagamentos de Roberta Luchsinger, empresária e lobista ligada ao Careca do INSS.
Em nota enviada na 3ª feira (4.ago.2026), Marcola afirmou que os pagamentos de R$ 249 mil tratam de um “empréstimo pessoal” e que os seus sigilos bancário e fiscal estão “integralmente à disposição da Justiça”.
Marcola foi chefe de gabinete de Lula de janeiro de 2023 a 31 de julho de 2026. No governo, tinha a responsabilidade de organizar a agenda de compromissos do petista e era uma pessoa de total confiança. Saiu para integrar a coordenação da campanha.
Roberta Luchsinger é alvo de inquéritos da Polícia Federal sobre tráfico de influência no governo e está citada na investigação de fraudes na Previdência Social: ela prestou serviços ao Careca do INSS. Também mantém uma amizade próxima com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula.
Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS, como revelou o Poder360 em dezembro. Ele é alvo de 3 inquéritos, incluindo 1 por tráfico de influência.
Em maio de 2026, Roberta disse ter apresentado o filho do presidente ao Careca do INSS por “boa educação” e negou intermediação de negócios: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.
O QUE DIZEM OS ALIADOS
Petistas avaliam que o caso, apesar de ruim para a imagem de Lula, não tem potencial de prejudicar a campanha. Para eles, a solução é que Marcola apresente os comprovantes do empréstimo.
Ao Poder360, o vice-presidente do PT, Washington Quaquá, disse não ver “a mínima possibilidade de ele estar envolvido com qualquer ilicitude”.
Declarou: “O problema no Brasil é que as pessoas são linchadas publicamente e não têm o direito de se defender. Depois de muito tempo, provam a inocência, mas já têm a vida e a reputação destruídas. Não vejo como uma bobagem dessas possa atrapalhar a campanha. Aliás, os candidatos deviam rechaçar essas hipocrisias”.
Eis a nota de Marcola:
“A respeito das matérias que tratam do empréstimo pessoal que contraí com Roberta Luchsinger, esclareço:
“Em 1º lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil –uma movimentação de natureza estritamente privada.
“Já constituí advogado e o orientei a fazer uso de todos os documentos a fim de esclarecer os fatos.
“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência.
“A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça” .
