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Marcola ajudou lobista amiga de Lulinha a chegar à Saúde

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não recebeu empréstimos formais da lobista Roberta Luchsinger. Ele costumava enviar para ela contas que tinha para pagar. Roberta pagava. Pedia em troca ajuda para ter acesso a autoridades e Marcola conseguiu colocá-la em contato com a cúpula do Ministério da Saúde, segundo reportagem da jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico.

A única contrapartida a esses depósitos [de Roberta para Marcola] foi a ponte para o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, hoje chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do gabinete de Lula, Swedenberger Barbosa. Um dirigente da campanha que esteve recentemente com Berger, como é chamado, e diz ter ouvido dele que, a despeito das gestões de Roberta, nenhum contrato foi firmado na Saúde com Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS”, escreveu o Valor.

De acordo com a reportagem, quem apresentou Roberta Luchsinger para Marcola foi Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho mais velho do presidente Lula), e sua mulher, Renata. É que Lulinha e Renata são amigos próximos da lobista, com quem inclusive passam férias juntos –como mostram imagens de redes sociais.

Marcola relatou a integrantes da campanha lulista, segundo o Valor, que Roberta Luchsinger sempre se oferecia para ajudá-lo financeiramente, mas que ele sempre recusava. Num determinado momento, “cedeu, aceitando que Roberta pagasse contas que lhe apresentava. Nunca recebeu dinheiro dela, mas lhe passava, por WhatsApp, os pagamentos que precisava que fossem feitos”

O Valor também relata que os integrantes do governo sabem já há algum tempo sobre essa relação de Marcola com Roberta. Sobretudo porque foi quebrado o sigilo do celular da lobista, e ali estavam as mensagens trocadas entre ela e o ex-assessor de Lula.

Marcola relatou ao presidente da República o que havia se passado. “Lula chamou dirigentes de sua campanha e pediu que o levassem: ‘Marcola não pode mais ficar aqui’ ”. Isso ocorreu em meados de julho e Marcola saiu formalmente do Palácio do Planalto no dia 21 de julho (eis o ato de dispensa no Diário Oficial da União – PDF – 60 kB). A partir da sua saída do governo, resolveu dar um jeito de devolver os valores recebidos de Roberta. No Planalto, na função de chefe de Gabinete de Lula ficou Oswaldo Malatesta, que era adjunto de Marcola.

Não está claro se Marcola, Lula ou outros integrantes do governo souberam do dinheiro recebido pelo ex-assessor só porque inferiram o que estaria no celular de Roberta ou se houve vazamento de algum órgão de controle envolvido na investigação, como a Polícia Federal. O que se sabe é que foi montada uma operação para tentar de todas as formas evitar que a notícia fosse divulgada antes da eleição de 4 de outubro.

O Poder360 confirmou a informação –que circulava por Brasília há dias– e revelou na 2ª feira (3.ago.2026) que Marcola havia recebido dinheiro de Roberta. Assim que a reportagem foi publicada, um assessor do Palácio do Planalto ligou para a Redação deste jornal digital reclamando e dizendo que este post reproduzia “fofocas de Brasília”. Pretendia que a notícia fosse retirada do ar. Logo depois, o próprio Marcola admitiu publicamente que tudo era verdade, que ele havia recebido dinheiro da lobista e que, portanto, a alegação do Planalto estava errada.

O ex-assessor passou as últimas semanas pensando em como contornar o efeito negativo que a revelação poderia ter. O Poder360 apurou que Marcola cogitou formalizar o recebimento de dinheiro de Roberta por meio de um contrato de mútuo, com data retroativa a 2 ou 3 anos passados. A lobista, entretanto, até agora tem se recusado a assinar o documento –que pode ser facilmente dado como algo forjado. Ela é alvo da investigação conduzida pela operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Por causa disso, na 3ª feira (4.ago.2026), Marcola divulgou uma nota simples (íntegra – PDF – 53 kB) dizendo que foi um empréstimo pessoal no valor de R$ 249 mil.

Na nota em que reconhece o que chamou de “empréstimo já quitado”, Marcola diz que não cometeu ilegalidade dele decorrente. O contato entre Roberta e o Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular é o ministro Wellington Dias, é que teria resultado em licitação vencida por cliente de Roberta, mas não teria sido mediado por Marcola.

A campanha não esperava que a notícia viesse à tona neste momento. Marcola deixou a campanha do petista. A insegurança em relação à condução dos inquéritos que investigam o filho do presidente e estão em mãos do ministro André Mendonça é gigantesca, mas a titularidade do 3º inquérito pelo ministro Flávio Dino equilibra, em parte, as apreensões. O advogado de Fábio, Marco Aurélio de Carvalho, a verbalizou: “Recebemos com absoluta tranquilidade a instauração de mais um inquérito, temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino”.

A defesa de Fábio peticionou à Corregedoria-Geral da Polícia Federal contra o vazamento de dados sigilosos e pediu providências ante a notícia de que a campanha do candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, pretende divulgar áudios entre o filho do presidente e Roberta. O celular de Roberta, o mesmo que registrou as trocas de mensagens com Marcola, teve seu sigilo quebrado por decisão de Mendonça.

O mesmo ministro, porém, foi quem autorizou a operação de busca em endereços de familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz. O 1º é da cozinha do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e tem a confiança do Palácio do Planalto, que fez dele o vice-líder do governo e relator da indicação do ministro Jorge Messias ao Senado. O 2º, porém, tem relações muito mais estreitas com o principal adversário de Lula nesta campanha, Flávio Bolsonaro. Seu celular também teve o sigilo quebrado.