A greve dos ferroviários da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), em São Paulo, teve repercussões políticas depois de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, classificar a paralisação como uma “baderna”, atribuir o movimento a uma “instrumentalização política” e defender a concessão do sistema à iniciativa privada.
As falas do governador foram respondidas por sindicalistas e políticos da oposição. Eles responsabilizaram o governo pelos transtornos enfrentados por passageiros na paralisação, que entrou nesta 4ª feira (5.ago.2026) no seu 2º dia seguido, e criticaram a concessão do sistema à iniciativa privada.
A greve envolve os ferroviários de 3 ramais do sistema –as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que abrange o Expresso Aeroporto. A operação dos ramais foi transferida à concessionária Trivia Trens em 21 de julho, após a empresa ter vencido em março de 2025 o leilão para administrar as linhas por 25 anos.
SINDICATO CRITICA CONCESSÃO
Os ferroviários cobram uma garantia formal de manutenção dos empregos durante a transferência da operação das linhas da CPTM para a Trivia, que deve durar até julho de 2027. Nesse período, a CPTM manterá parte de seus funcionários atuando nas linhas.
O sindicato afirma que cerca de 500 trabalhadores podem ser afetados e defende a reestatização dos ramais. O governo paulista diz que não haverá demissões durante a realocação e considera a greve injustificada.
Atualmente, apenas 1 das 7 linhas da CPTM ainda não foi concedida à iniciativa privada: a 10-Turquesa. O governo Tarcísio afirma que a concessão é necessária para aumentar a eficiência e os investimentos no sistema. Já a oposição e os ferroviários da CPTM dizem que isso provoca demissões e a queda de qualidade na prestação dos serviços.
Na manhã desta 4ª feira, as linhas 11-Coral e 12-Safira operavam parcialmente, enquanto a 13-Jade e o Expresso Aeroporto permaneciam paralisadas. No horário de pico da manhã, São Paulo registrou 649 km de congestionamentos, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). O rodízio municipal de veículos foi suspenso.
FALAS E REAÇÕES
Em publicação nas redes sociais na 3ª feira (4.ago), Tarcísio afirmou que a greve seria resultado de uma “instrumentalização política” para prejudicar passageiros e disse que “a aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo”.
O governador também declarou não ser “por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição” e afirmou que garantias de manutenção dos empregos teriam sido oferecidas pelo Estado, mas rejeitadas pelo sindicato.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil rebateu as declarações e negou motivação político-partidária.
Segundo a organização, a paralisação foi aprovada em assembleia por causa da ausência de uma garantia oficial e por escrito sobre a manutenção dos empregos durante a transição da operação das linhas para a concessionária.

Em nota, o sindicato afirmou que “a greve dos ferroviários da CPTM não tem motivação político-partidária” e que os trabalhadores “não fazem greve por interesse político, mas porque lutam pelo direito ao trabalho e pela segurança de suas famílias”.
A organização declarou ainda que “só existe um caminho para o fim do conflito”: a apresentação de uma garantia oficial de manutenção dos empregos.
O presidente do sindicato, Luiz Barbosa Neto Júnior, afirmou durante a assembleia realizada na noite de 3ª feira (4.ago), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, no Brás, que a categoria decidiu manter a greve porque o governador não apresentou uma resposta oficial à principal reivindicação dos trabalhadores.
Segundo ele, Tarcísio não entregou um documento garantindo a manutenção dos empregos durante a transição da operação das linhas para a concessionária. “Nessa assembleia, a categoria, baseada na ausência de resposta do governador, resolve manter o movimento grevista até que o governador venha e nos dê um documento oficial com o pleito da categoria. Está nas mãos do governador”, declarou.
O deputado federal, Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, afirmou que “a privatização do Tarcísio piora o serviço e tira direitos dos trabalhadores” e responsabilizou o governador pelo “caos em São Paulo”.

A ex-ministra do Meio Ambiente e atual candidata ao Senado, Marina Silva (Rede), disse que a população “paga a conta da falta de diálogo do governo Tarcísio”.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) compartilhou um vídeo de uma passageira criticando a privatização das linhas e pedindo a saída de Tarcísio do governo estadual.

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) afirmou que a “verdadeira baderna” foi o incêndio registrado em um trem operado pela concessionária Trivia Trens poucos dias depois do início da operação das linhas. “Se a privatização é tão boa, eu tenho uma sugestão: leiloe seu cargo”, escreveu.
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também compartilhou um vídeo de uma passageira criticando Tarcísio e a privatização do sistema ferroviário. Já o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) escreveu que o “caos em São Paulo é culpa da privataria do Tarcísio”.



