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Saiba quem é Weverton Rocha, senador alvo da PF no caso do INSS

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do senador Weverton Rocha (PDT-MA) nesta 3ª feira (04.ago.2026). A ação integra uma nova fase da operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A investigação apura operações financeiras suspeitas envolvendo a mulher do senador. O principal alvo da fase desta 3ª feira é o advogado Willer Tomaz, apontado como suspeito de lavar dinheiro para Rocha no esquema investigado pela corporação.

A PF afirma que Weverton Rocha era responsável por “formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais” no esquema investigado pela operação.

Trajetória do senador

Weverton Rocha tem 46 anos e é natural de Imperatriz, no Maranhão. Assumiu o mandato no Senado em 2019 e ocupa o cargo de vice-líder do governo na Casa.

A carreira política de Rocha teve início no movimento estudantil. Entre 2000 e 2001, ele foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes. Antes de chegar ao Senado, atuou como assessor na Prefeitura de São Luís entre 2000 e 2006 e como secretário de Esporte e Juventude do Maranhão em 2007.

Trabalhou ainda como assessor do então ministro Carlos Lupi (PDT) no Ministério do Trabalho durante o governo Dilma Rousseff (PT).

Rocha teve 2 mandatos na Câmara dos Deputados; foi suplente de 2011 a 2013 e titular de 2013 a 2018. No período, votou contra o impeachment de Dilma, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência.

Para o Senado, foi eleito com 35% dos votos, com apoio do então governador do Maranhão, Flávio Dino. Em 2022, disputou o governo do Maranhão, mas perdeu para Carlos Brandão (PSB), eleito no primeiro turno.

A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela PF em 23 de abril de 2025 para investigar descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O escândalo resultou na demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Papel de Rocha na investigação

Esta não é a primeira vez que Rocha aparece na operação. Em dezembro de 2025, a residência do senador já havia sido alvo de busca e apreensão em fase anterior da Sem Desconto. Na ocasião, ele disse ter recebido a ação “com surpresa, mas com serenidade” e afirmou que se colocava à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tivesse acesso à íntegra da decisão judicial.

Documentos da PF descrevem Rocha como o “sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como líder do esquema fraudulento. Segundo os investigadores, o senador atuava como “braço político” do grupo e exercia papel de apoio político às atividades investigadas.

A PF sustenta que o enriquecimento de Antunes foi viabilizado por esse suporte.

Investigadores já identificaram, no celular do Careca do INSS, diálogos sobre a entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor de Rocha. A PF enquadrava o vice-líder do governo como um dos líderes da organização criminosa que fraudou beneficiários do INSS.

Sobre a nova fase da operação, a Polícia Federal informou que o objetivo é “apurar a suposta prática do crime de lavagem de dinheiro entre os fatos investigados”.

A corporação acrescentou que “as investigações tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”.

Nesta fase, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão em Brasília e no Maranhão. Uma máquina de contar dinheiro foi apreendida com um dos alvos.

OUTRO LADO

O Poder360 procurou o gabinete de Weverton Rocha para perguntar se o senador gostaria de se manifestar sobre a nova fase da Operação Sem Desconto. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso o senador envie manifestação.

Willer Tomaz, por sua vez, enviou nota à imprensa afirmando que a busca e apreensão “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha” e que “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”.

“A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados”, disse o advogado.