Últimas

Advogado comprou mansão de R$ 6 milhões para Weverton Rocha, diz PF

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

Suspeito de comandar fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o vice-líder do governo no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), é um dos alvos da nova fase da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta 3ª feira (4.ago.2026). Segundo a PF, a residência do senador, avaliada em R$ 6 milhões, foi comprada por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz.

De acordo com as investigações, o imóvel fica no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, e foi adquirido pela WT Administração de Imóveis e Bens, ligada ao advogado. A PF afirma que “a dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração”

Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Além de Willer Tomaz, parentes do senador estão entre os alvos da operação. A decisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. Leia a íntegra (PDF – 282 kB).

No esquema do INSS, segundo a PF, Weverton era responsável por:

  • formular demandas;
  • indicar beneficiários;
  • cobrar pagamentos;
  • acompanhar repasses;
  • tratar de imóveis;
  • orientar providências; e
  • interferir em decisões patrimoniais.

Já Willer é descrito como “personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos”.

Segundo a PF, “as investigações começaram depois da identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos”.

O Ministério Público Federal manifestou-se contra as buscas e apreensões. Para o órgão, medidas menos invasivas, como a quebra de sigilos, seriam suficientes para confirmar os indícios patrimoniais. Mendonça, no entanto, autorizou os pedidos da PF por considerar haver risco de destruição de provas e necessidade de apreensão de bens e documentos para esclarecer a divisão de tarefas do suposto esquema.

OUTROS LADOS

Em nota, o senador Weverton Rocha disse que “todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais” e que a operação da PF tem relação com sua candidatura ao Senado.

Leia a íntegra da declaração:

“Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques.

“Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava, que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família, e até apoiadores políticos.

“Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder.

“Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal.

“Quero ressaltar que o Ministério Público Federal foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores.

“Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei. Me manterei firme no propósito de lutar pelo Maranhão, ao lado de todos que mais precisam.”

Já Willer Tomaz afirma, em nota à imprensa, que a busca e apreensão a que foi submetido “decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha”.

O advogado declara também que “não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”

“A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados”, diz.

OPERAÇÃO SEM DESCONTO

A PF deflagrou a operação Sem Desconto em 23 de abril de 2025 para investigar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

A investigação identificou a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sem autorização dos beneficiários sobre suas aposentadorias e pensões.  A repercussão do caso levou à demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).