O Partido dos Trabalhadores oficializa neste domingo (2.ago.2026), às 10h, em São Paulo, a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos. O evento será no Expo Center Norte, na Vila Guilherme, na zona norte da capital paulista. A expectativa é reunir até 3.500 pessoas.
O Estado é considerado estratégico na tentativa do petista de obter um inédito 4º mandato. Lula terá novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em sua chapa.

Lula aguarda governadores e senadores aliados.
Estão entre os nomes confirmados o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e os governadores petistas:
- Elmano de Freitas – governador do Ceará e candidato à reeleição;
- Fátima Bezerra – governadora do Rio Grande do Norte;
- Jerônimo Rodrigues – governador da Bahia e candidato à reeleição;
- Rafael Fonteles – governador do Piauí e candidato à reeleição.
Antes da convenção, às 9h, o PT fará uma live direcionada aos apoiadores como um esquenta para o ato.
É a 8ª vez que o petista se candidata à Presidência. Foi assim em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2018 e 2022.
Em 2018, estava preso e teve a candidatura barrada pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa.
Quando disputou para valer, o petista perdeu 3 vezes (1989, 1994 e 1998) e venceu em outras 3 ocasiões (2002, 2006 e 2022). Se reeleito, será o mais velho no posto: faz 81 anos em outubro deste ano. Lula também será o 1º brasileiro a vencer 4 eleições diretas para presidente.

O chefe do Executivo terá o maior número de partidos de esquerda e centro-esquerda em sua aliança já no 1º turno: PT, PC do B, PV, PSB, PDT, Psol e Rede. Um fato inédito desde 1989.
O PT é bom para chegar às finais. O Brasil já teve 9 eleições presidenciais que permitiam 2 turnos. Um petista sempre ficou como 1º (5 vezes) ou 2º colocado (4 vezes), mas nunca houve uma vitória petista na 1ª votação.
É um trauma que Lula carrega. Pensou que levaria na 1ª rodada de votação em 2006. Não conseguiu.
Será agora? Não se sabe. O presidente terá como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem Lula derrotou em 2022.
Vencer no 1º turno daria força inaudita para Lula num eventual 4º mandato. Para o bolsonarismo seria uma derrota acachapante.
O 1º turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Eventual 2º turno será realizado em 25 de outubro.
RETORNO AO PLANALTO
Em 2022, Lula foi eleito ao obter 60.345.999 votos (50,90% dos votos válidos) no 2º turno. O principal adversário de Lula, o então presidente Jair Bolsonaro, recebeu 58.206.354 votos (49,10% dos votos válidos).
Em 2026, o PT decidiu destinar R$ 127 milhões do fundo eleitoral para a campanha de Lula. Neste ano, a sigla receberá R$ 615 milhões do fundo –mais que os R$ 499,6 milhões de 2022.
A intenção do partido é que Lula reserve o valor máximo permitido pelo TSE para campanhas presidenciais, de R$ 133,4 milhões, caso haja 2º turno. O valor deve ser completado com doações.
Eis o limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral:
- 1º turno – R$ 88,94 milhões;
- 2º turno – R$ 44,47 milhões, se houver disputa.
Lula teve R$ 130 milhões à disposição nas eleições de 2022. O valor era um pouco menor que os R$ 132 milhões que poderia gastar.
FIEL DA BALANÇA
Em 2022, os paulistas deram 4,3 milhões de votos a mais para Lula do que para Fernando Haddad, candidato petista ao Planalto em 2018 e nome da sigla na atual disputa ao Palácio dos Bandeirantes. O aumento na votação do PT na eleição presidencial nesse intervalo de 4 anos foi decisivo para Lula ser eleito ao cargo pela 3ª vez.
O Poder360 mostrou que a sigla priorizou a campanha de Haddad na disputa ao governo de São Paulo. Do total gasto com anúncios pelo PT no e no Instagram desde 20 de julho, quando começaram as convenções partidárias, 67,9% foram para posts direcionados a moradores do Estado de São Paulo.
Ter a candidatura de Haddad ao governo de São Paulo foi, portanto, uma forma que o presidente encontrou para assegurar um palanque competitivo.

