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Somos contra retaliar os EUA, diz associação de máquinas

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Somos contra retaliar os EUA, diz associação de máquinas

O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso Dias Cardoso, disse que, mesmo com a taxação dos EUA, a associação é contra retaliar o país norte-americano e também é contra lançar mão da lei de reciprocidade.

“Existe um componente político grande nesse tarifário. Se o Brasil retaliar ou lançar mão da lei de reciprocidade, a nossa tarifa pode subir, ou seja, a situação pode piorar. Aquilo que está muito ruim, pode piorar”, declarou o executivo em entrevista ao Poder360.

Assista (27min42s):

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos antes das eleições de outubro. No Palácio do Planalto, em Brasília, a avaliação ouvida pelo Poder360 é que ainda é necessário concluir os estudos técnicos sobre os impactos do tarifaço antes de decidir pela adoção da medida.

Velloso disse também não acreditar que os EUA vão rever as novas tarifas impostas ao Brasil antes da eleição de outubro. 

“Não vejo muito espaço para o governo norte-americano rever a tarifa dado o caráter político do tema.  Até o fim deste ano não temos essa esperança”, declarou.

Sobre a diminuição de empregos, Velloso disse que o setor não deve perder postos de trabalho por causa da exportação para outros países, como Argentina e Singapura.

“Estamos imaginando que, de uma forma agregada, o setor de máquinas vá ter diminuição de empregos porque as nossas exportações estão aumentando. Apesar de o principal destino brasileiro [EUA] ter caído 11% no total das exportações, neste ano, estamos crescendo 14%. Exportávamos US$ 13,2 bilhões em 2025 e vamos exportar esse ano mais de US$ 14 bilhões. Então o setor está crescendo”, disse Velloso. 

Outras preocupações

Além do tarifaço dos EUA, há outras questões que preocupam o setor de máquinas e equipamentos. Velloso citou a taxa de juros e os produtos chineses.

“A taxa de juros é um inimigo mortal de quem faz investimento e quem compra uma máquina está fazendo investimentos. Nos últimos 5 anos, nós só crescemos no ano passado. Nos outros anos todos, nós tivemos queda no faturamento. O principal motivo é a taxa de juros, que é muito elevada”, declarou. 

No caso das plataformas internacionais de e-commerce, o presidente-executivo da Abimaq afirmou que o setor é pego indiretamente porque os segmentos de confecção, calçados e brinquedos, por exemplo, são os afetados, mas quando eles não vendem, eles não compram máquinas. 

“É um comércio desleal com o comércio brasileiro. Tem que penalizar quem faz comércio desleal com o Brasil. Nós entendemos que os produtos que entram no Brasil carregados de subsídios lá fora deveriam ser penalizados através de tarifas de importação e também pensar na possibilidade de cotas e na possibilidade de processos antidumping”, afirmou.

Escala 6 X 1

Sobre o fim da escala 6 X 1, Velloso disse que a Abimaq é a favor da discussão do tema, mas que, antes de tratar do assunto, o Brasil precisa ganhar produtividade.

“Vai haver um aumento de custo generalizado por todos os setores que empregam e esse aumento de custo vai ser repassado para o consumidor brasileiro”, declarou.

O projeto só deve ser analisado no Congresso depois das eleições.