O sociólogo e cientista político Rudá Ricci, presidente do Instituto Cultiva, afirma que as convenções nacionais do PT e do Missão, marcadas para os últimos dias do calendário eleitoral, devem ser maiores e mais impactantes do que as realizadas pelos demais partidos. A avaliação foi feita em entrevista ao PoderDataCast na 5ª feira (30.jul.2026).
Segundo Ricci, partidos que deixam suas convenções para a data-limite conseguem observar os acertos e erros dos adversários e organizam eventos com maior potencial de repercussão política e midiática.
“Quando você joga a sua convenção para o final, no limite da data para fazer, o que você está querendo? Você está querendo ver o que foram as outras convenções e aí ou responder ou fazer um evento muito maior, muito mais espetacular.”
Assista à entrevista completa (57min):
As convenções partidárias podem ser realizadas de 20 de julho a 5 de agosto. O PT e o Missão optaram por marcar seus encontros nos últimos dias do prazo.
ESTRATÉGIA
Para Ricci, a posição no calendário eleitoral favorece os partidos porque as convenções mais recentes permanecem por mais tempo no debate público.
“Como eles sabem que são as duas convenções finais, se forem bem feitas, são aquelas que vão ficar mais na memória fresca do eleitor“, afirmou.
O cientista político disse ainda esperar eventos de grande porte tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, quanto do candidato Renan Santos (Missão), que tenta ampliar sua visibilidade na corrida presidencial.
“Eu tenho uma expectativa muito grande para essas duas últimas convenções. Eu imagino que elas serão muito maiores e melhores do que as anteriores“, disse.
Segundo o cientista político, a convenção do Missão será uma oportunidade para Renan Santos compensar o desempenho mais modesto nas pesquisas de intenção de voto.
O candidato precisará transformar o evento em um grande ato político, capaz de produzir imagens e declarações com potencial de viralização nas redes sociais.
“Ele vai ter que fazer uma convenção muito bem organizada e que seja espetacular, que dê like, selfie, que vá para as TVs, para as redes sociais, com frases de efeito“, afirmou.
CONVENÇÃO DO PL TEVE EFEITO LIMITADO
Ao analisar a convenção do PL, realizada em 25 de julho, Ricci afirmou que o evento acabou produzindo menos benefícios políticos para Flávio Bolsonaro (PL) do que o esperado.
Segundo ele, a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, desviou a atenção da oficialização da candidatura do senador.
“Pesquisa feita logo depois da convenção revelou que a presença do Milei acabou obscurecendo a imagem do próprio Flávio. O Milei foi muito mais citado nas redes“, declarou.
O cientista político também observou que o plenário esvaziou durante o discurso de Flávio Bolsonaro, o que, segundo ele, evidencia dificuldades de mobilização dentro da própria base política.
“Na hora que o Flávio subiu para falar, o plenário se esvaziou. Ficou claro que eles não estão apoiando o Flávio com tanto vigor“, afirmou.
🎧 PODERDATACAST
O episódio faz parte da nova temporada do PoderDataCast, podcast do Poder360 voltado ao debate de pesquisas eleitorais e de opinião pública. O programa, comandado pelo editor de Pesquisas, Jonathan Karter, é transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 18h30, no canal do Poder360 no YouTube.


