O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), “não pode confundir suas atribuições com as de um militante político” ao comentar a visita do argentino ao Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino La Nación, publicada na 5ª feira (30.jul.2026), depois de Milei chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão” e “presidiário” durante participação em um ato de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em São Paulo.
Segundo Edinho, os ataques de Milei representam a pior “crise” diplomática entre Brasil e Argentina nas últimas décadas. O dirigente afirmou que o PT apresentou uma denúncia para apurar a origem dos recursos utilizados na viagem do presidente argentino e disse que um eventual uso de dinheiro público poderia caracterizar interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
“Milei é chefe de Estado, não pode confundir suas atribuições com as de um militante político. Ele pode vir ao Brasil e dizer o que pensa, mas não pode atacar as instituições brasileiras”, afirmou. O presidente do PT acrescentou que, se a viagem tiver sido financiada com recursos públicos argentinos, a legislação brasileira poderá considerar o caso uma interferência eleitoral.
Consequências e relação bilateral
Edinho afirmou que caberá ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral investigar o caso. Segundo ele, se houver comprovação de uso de recursos públicos estrangeiros, poderão existir consequências para o processo eleitoral brasileiro, conforme a legislação.
O dirigente também afirmou que Milei prejudica a relação entre os 2 países ao atacar o governo brasileiro. “Os governantes passam, os países permanecem. Se Milei não entende isso, não tem estatura para o cargo que ocupa”, declarou, destacando que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina.
