O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou a Polícia Federal a monitorar a localização do senador Jaques Wagner (PT-BA) por meio de dados de estações rádio-base (ERBs) e a acessar seus registros de chamadas telefônicas. O congressista é alvo da corporação na operação Compliance Zero. A autorização foi concedida após a corporação sustentar que havia risco de comprometimento da investigação diante da suspeita de vazamento de informações sigilosas.
A medida faz parte da decisão que retirou o sigilo da investigação, tornada pública na 5ª feira (30.jul.2026). Leia a íntegra (PDF – 19 MB). Nela, Mendonça analisou o pedido apresentado pela Polícia Federal na representação de 98 páginas enviada ao STF no âmbito do Inquérito 5.026, que apura a relação do senador com ex-gestores do antigo Banco Master.
Segundo o relatória da investigação, a PF identificou indícios de que pessoas investigadas poderiam ter tomado conhecimento antecipado de diligências em andamento, circunstância que, na avaliação da corporação, justificava a adoção de medidas cautelares para preservar a produção de provas e aprofundar a investigação.
A Polícia Federal Polícia Federal afirma que a investigação sobre o Banco Master revelou um núcleo voltado à obtenção indevida de informações sigilosas e identificou indícios de atuação coordenada para antecipar medidas investigativas. Segundo a corporação, esse contexto elevava o risco de comprometimento da apuração e justificava o monitoramento dos investigados.
Na decisão, o ministro autorizou:
- monitoramento por ERBs (estações rádio-base), que permite identificar a localização aproximada dos aparelhos celulares;
- acesso aos registros de chamadas telefônicas (metadados), como números, datas, horários e duração das ligações.
A Polícia Federal também pediu autorização para realizar interceptação telefônica dos investigados. Mendonça, entretanto, não autorizou a interceptação do conteúdo das comunicações, limitando a medida ao acesso a dados técnicos e de localização dos aparelhos, conforme delimitado na decisão.
JAQUES WAGNER E CASO MASTER
O pedido de medidas cautelares integra uma representação de 98 páginas na qual a Polícia Federal afirma ter identificado indícios de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Jaques Wagner e ex-gestores do Banco Master. Leia a íntegra do inquérito (PDF – 33 MB).
Segundo a corporação, a investigação reúne mensagens de WhatsApp, registros de voos, fotografias, documentos financeiros e contratos que, na avaliação dos investigadores, apontam para uma relação próxima entre o senador, Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga, e Daniel Vorcaro.
A PF cita, entre outros elementos, viagens, troca de presentes, negociações envolvendo um apartamento em Salvador e suposta atuação parlamentar favorável aos interesses do banco. As conclusões representam o entendimento da Polícia Federal e ainda serão analisadas pelo STF.
O QUE DIZ O SENADOR
O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse nesta 6ª feira (31.jul.2026) ter “certeza de que vai provar sua inocência” nas investigações que ligam seu nome ao Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, afirmou que está “tranquilo” e focado nas eleições de outubro.
“O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição. Temos 2 meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula”, declarou o senador.
Wagner disse que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “4, 5 dias depois” da operação de busca e apreensão em endereços ligados a ele. Afirmou que deixou a liderança do governo no Senado para “não contaminar, para não perturbar”.
“Ele esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa, e amanhã vai estar comigo aqui [na Bahia]”, afirmou.
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do inquérito sobre o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, tornou público na 5ª feira (30.jul.2026) um relatório da Polícia Federal que cita a ligação de Wagner com ex-sócios da instituição, como Augusto Lima e Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, os investigadores apuram se o senador recebeu de Lima e Vorcaro, diretamente ou por meio de familiares, “vantagens econômicas diversas”, em aparente correlação com sua atuação em temas de interesse do banco.
O relatório também indica que Wagner teria atuado na tramitação de projetos no Congresso que beneficiariam o Banco Master.
COMPLIANCE ZERO
As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.
O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. O magistrado autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Eis as fases da operação:
- 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;
- 2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;
- 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;
- 4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;
- 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;
- 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
- 9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima foram alvos da operação. A defesa do congressista baiano acionou o STF para anular a ação. Pressionado, Wagner deixou o posto de líder do Governo no Senado em 24 de junho. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação (PDF — 256 kB);
- 10ª fase (9.jul.2026) – o empresário Thiago Miranda foi alvo de mandado de busca e apreensão. Os investigadores apuram esquema de monitoramento contra jornalistas que contrariavam os interesses de Vorcaro. Leia a íntegra da decisão (PDF – 261 kB).
Leia mais:
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