O presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça, Luis Felipe Salomão, afirmou nesta 6ª feira (31.jul.2026) que magistrados com viés político-partidário estão na profissão errada. Para ele, esse tipo de posicionamento compromete a imparcialidade necessária ao exercício da função jurisdicional.
A declaração foi feita durante sabatina no Congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), realizado no campus Paraíso da Unip, no bairro da Aclimação, na zona sul de São Paulo. Salomão toma posse em 19 de agosto no comando do STJ.
“O juiz que tem posicionamento político está numa profissão errada. Não pode ter posicionamento. Política, paixão política partidária, é para ser desenvolvida por quem não ocupa essa profissão”, disse Salomão.
O ministro fez uma distinção entre experiências pessoais e vieses ideológicos. Segundo ele, a bagagem cultural e de vida de cada juiz é um dado inevitável, mas não pode se traduzir em parcialidade nos julgamentos.
“Não estou dizendo que o juiz não traz uma bagagem cultural de vida pela experiência do passado. Só que, na hora que ingressa e veste a toga, não pode revelar ou ter esse viés de posicionamento político”, afirmou.
O ministro também defendeu a criação de uma quarentena para integrantes de órgãos do sistema de Justiça que deixam seus cargos para disputar eleições.
“Não cabe na minha cabeça que não haja uma quarentena para juízes e promotores, delegados, disputarem eleição quando se aposentam ou quando saem da carreira. Eu não consigo entender porque é que nós não temos uma quarentena para o sujeito que pendura a toga e no dia seguinte é candidato, às vezes surfando uma onda de uma condenação ou de uma apuração, de um caso de grande repercussão.”
Salomão também mencionou a atuação do Conselho Nacional de Justiça em períodos eleitorais, quando juízes foram punidos por manifestações políticas no perfil dos magistrados no Twitter. Para ele, a resposta do órgão foi eficaz e contribuiu para estabilizar o comportamento da magistratura.
“Tivemos que agir com determinação e funcionou bem, porque os posicionamentos políticos foram efetivamente punidos e a coisa se estabilizou”, disse o ministro.
Na avaliação de Salomão, o tema está atualmente sob controle no Judiciário. “Hoje acho que esse tema está bastante controlado. O CNJ tem atuado também com rigor nessa área, não voltou atrás, não deu passo atrás”, concluiu.
