O ex-prefeito de Divinópolis (MG), Gleidson Azevedo (Republicanos-MG), irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), afirmou nesta 5ª feira (30.jul.2026) que pode desistir de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados depois que o Republicanos barrou a candidatura do senador ao governo de Minas Gerais. Em vídeo publicado nas redes sociais, disse que está “pensando em não ser mais candidato a deputado federal e largar a política”.
Gleidson criticou a decisão da direção do Republicanos e questionou os motivos que levaram a legenda a impedir a candidatura do irmão. Segundo o ex-prefeito, Cleitinho lidera as pesquisas de intenção de voto, não pretende utilizar recursos do fundo eleitoral e reúne apoio popular para disputar o Palácio Tiradentes.
Cleitinho disse ao Poder360 que havia um acordo com o Republicanos para que sua candidatura ao governo de Minas fosse anunciada até 5 de agosto. Porém, em 29 de julho, a direção nacional e o diretório estadual da legenda divulgaram nota afirmando que consideravam encerrada a possibilidade de lançá-lo na disputa depois da ausência do senador na convenção estadual da legenda.
No vídeo, Gleidson pediu que apoiadores compartilhassem a gravação para pressionar o presidente estadual do Republicanos, o deputado Euclydes Pettersen (MG), e o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, a reverem a decisão. O ex-prefeito afirmou que o senador não participou da convenção estadual por causa do luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, e disse acreditar que a situação ainda pode ser revertida.
O ex-prefeito também afirmou que “o sistema não quer o Cleitinho” e declarou que a principal força política do senador é o apoio popular. Segundo Gleidson, uma eventual eleição do irmão representaria uma gestão compartilhada com a população mineira. “Quem vai governar Minas não vai ser ele e, sim, milhões de mineiros”, afirmou.
PL mantém apoio
Apesar do veto do Republicanos, o PL mantém Cleitinho como prioridade para disputar o governo de Minas Gerais. Horas depois de a legenda anunciar que o senador estava fora da corrida ao Palácio Tiradentes, Cleitinho declarou que continua candidato.
Procurado, o PL afirmou que o impasse é uma questão interna do Republicanos e que não pretende interferir na decisão. Integrantes da legenda disseram considerar o episódio uma “página virada”, mas ressaltaram que cabe exclusivamente ao Republicanos decidir sobre a candidatura do senador.
Mesmo assim, o partido informou que Cleitinho continua sendo sua prioridade para a disputa em Minas. Caso o senador não concorra, outras alternativas serão analisadas. A legenda, no entanto, evitou estabelecer um prazo para definir quem apoiará na eleição estadual.
Nesse cenário, o nome do ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP-MG), ganhou força. O Republicanos avalia apoiar uma eventual candidatura de Aro ao governo mineiro, hipótese que também é discutida por integrantes do PL. Até então, ele era tratado como um “plano B” caso Cleitinho desistisse da disputa.
Se o senador concorresse, Aro permaneceria na corrida ao Senado ao lado do deputado federal, Domingos Sávio (PL-MG).
Uma eventual candidatura de Marcelo Aro, porém, exigiria uma mudança na estratégia construída até agora. O ex-secretário havia firmado acordo para apoiar o governador em exercício Matheus Simões (PSD), indicado por Romeu Zema (Novo) para sucedê-lo no comando do Estado.
Cleitinho resiste
Apesar da decisão do Republicanos, Cleitinho afirmou, na 4ª feira (29.jul), que continua candidato ao governo de Minas Gerais. Em transmissão ao vivo realizada em uma praça de Divinópolis (MG), o senador declarou que disputará a eleição ao lado do ex-prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão (Republicanos-MG), escolhido por ele como vice.
O congressista também negou ter participado de qualquer reunião com a direção nacional do Republicanos para desistir da candidatura. Segundo Cleitinho, ele avisou previamente que não teria condições emocionais de comparecer à convenção estadual da legenda, realizada em 25 de julho, por causa da morte do irmão, Matheus Azevedo, uma semana antes do evento.
Cleitinho afirmou ainda que havia marcado uma reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para oficializar sua candidatura. O senador disse que não compreendeu a decisão anunciada pela legenda. “Não sei o que aconteceu de ontem para hoje”, declarou ao comentar a nota divulgada pelo partido.
