O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi à Faria Lima, em São Paulo, na semana passada, em uma tentativa de acalmar o mercado financeiro em relação ao que será um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de 2027. O chefe da equipe econômica do petista fez uma sinalização de que a questão fiscal é importante e que o Planalto também tem essa compreensão.
Durigan apontou na direção de um arcabouço fiscal mais rígido e da necessidade de discutir mecanismos para assegurar que a regra seja sustentável ao longo dos anos. O ministro também reforçou ter sido empoderado por Lula para falar em nome do time de economia e dar as diretrizes sobre a política econômica.
Não houve detalhamento de medidas, devido ao risco associado aos gastos obrigatórios. Ficou para o mercado financeiro a sensação de que Durigan está tentando oferecer sinais de que o governo reconhece a existência do problema e que está disposto a enfrentar essa situação.
O chefe da economia reforçou refutar medidas de controle de capital, mas falou sobre retomar discussões sobre impacto nas formas de investimento isentas de Imposto de Renda.
Durigan fez um périplo por BTG, Itaú e XP. Não tocou em questões atreladas ao salário mínimo. A impressão que ficou é que a mensagem é boa, mas a dúvida é se haverá espaço político para caminhar nessa direção.
Lula tem uma visão do Estado como indutor de crescimento. No 1º semestre de 2026, apresentou um pacote de bondades expandindo a oferta de crédito. Mesmo com essa perspectiva, o petista disse não querer desrespeitar o arcabouço fiscal.
Na 3ª feira (28.jul), o Poder360 mostrou que a percepção predominante entre gestores de fundos, bancos, corretoras e grandes empresas é que a eleição presidencial caminha para um 4º mandato de Lula. A avaliação é que, salvo um fato político de grande impacto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dificilmente conseguirá reverter o cenário atual, ainda que a diferença entre os 2 nas pesquisas não seja tão grande.
O clima agora entre os operadores de mercado é esperar 2030 para ter alguma mudança relevante no controle da economia.
PROGRAMA DE GOVERNO
A ida de Durigan à Faria Lima é um contraponto ao coordenador do programa da campanha de Lula, Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras.
No PT, a construção do programa de governo de Lula acendeu o alerta no mercado financeiro. Em 17 de julho, Gabrielli se reuniu com nomes do Itaú e levou uma visão expansionista sobre diretrizes econômicas.
A Faria Lima, já reticente com o governo Lula pela dificuldade em promover corte de gastos, digeriu mal. Antes, Gabrielli já tinha ido a público com a perspectiva de ampliar o financiamento do desenvolvimento via bancos públicos, bem como elevar a carga fiscal sobre os que vivem somente de rendas, o que assustou o mercado financeiro.
O presidente do PT, Edinho Silva, por sua vez, desautorizou o aliado ao dizer que as posições de Gabrielli são individuais e que as propostas estão em construção e ainda serão validadas pelo partido e por Lula.
Numa outra frente, integrantes do PT têm dito que Durigan é o nome à frente da construção das propostas econômicas. Ele está envolvido com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e da Gestão e Inovação, Esther Dweck. É uma tentativa de acalmar o mercado.
A apresentação do plano de governo está atrasada. A expectativa era de que estivesse pronto até 15 de julho, mas agora há espaço para que fique depois da convenção nacional do PT, marcada para 2 de agosto.
